Nova York - O bilionário Carlos Slim poderia canalizar um dos mais consistentes fluxos de caixa da América Latina para a Telekom Austria AG ou para a unidade da Telecom Italia SpA no Brasil após sua fracassada oferta pela Royal KPN NV.

A operadora de telefonia celular de Slim, a América Móvil SAB, gerou mais dinheiro que 99 por cento das empresas latino-americanas em cada um dos quatro trimestres até junho segundo dados compilados pela Bloomberg.

O fluxo de caixa foi de pelo menos US$ 2,83 bilhões em cada um dos últimos oito trimestres, o que significa que mesmo uma transação do tamanho da oferta retirada de US$ 9,9 bilhões pela operadora de telefonia holandesa KPN poderia ser financiada pelas operações em até um ano.

Após a tentativa fracassada de adquirir a KPN, o fluxo contínuo de pagamentos de contas de telefone aos cofres de Slim lhe dá flexibilidade para buscar ativos de telecomunicações alternativos quando eles ficam disponíveis.

“A ideia para a AMX (América Móvil) aqui parece ser diversificar longe das Américas e tirar vantagem dos indiscutivelmente baixos valores do setor de telecomunicações na Europa”, disse Rick Mattila, chefe de estratégia em Londres da Mitsubishi.

“A AMX poderia também optar por simplesmente esperar por um tempo, aguardando decisões a respeito das intenções da Telecom Italia em relação a seus ativos na TIM Brasil”.

Enquanto Slim decide se realiza uma nova oferta pela KPN ou vende suas ações, ele poderia voltar suas atenções para sua participação de 26 por cento na Telekom Austria, embora ela venha sendo uma perdedora de dinheiro até aqui, disse Mattila, da Mitsubishi. A Telekom Austria, com sede em Viena, tem um valor de mercado de 2,6 bilhões de euros.

A América Móvil pode, em vez disso, colaborar com a Telefónica em uma aquisição da TIM, com sede no Rio de Janeiro, disse Borja Mijangos, analista de Interdin Bolsa, com sede em Madrid.

Considerando que Slim e a Telefónica já são donos de duas das maiores operadores de telefonia celular do Brasil, o governo não deixaria um deles comprar a TIM completamente, disse ele. Em vez disso, os órgãos reguladores podem permitir que eles dividam a TIM com a concorrente brasileira Oi SA, disse Mijangos.

Slim se sairia melhor aumentando a presença da América Móvil no crescente mercado brasileiro do que buscando negócios na Europa, segundo Kevin Smithen, analista da Macquarie Group Ltd em Nova York.

“Ele está guardando dinheiro para a TIM Brasil”, disse Smithen em uma entrevista por telefone. “Não era óbvio para nós ou para o mercado seis meses atrás que havia algo mais na América Latina que a América Móvil poderia comprar. Esse agora aparenta ser um alvo surgindo no mercado com um vendedor motivado, e a lógica estratégica dessa transação faz muito mais sentido do que a expansão na Europa”.

Fluxo de caixa

A América Móvil reportou um mínimo de US$ 2,83 bilhões de dinheiro de operações em cada um dos últimos quatro trimestres, acima de quase qualquer empresa não financeira na América Latina, mostram dados compilados pela Bloomberg. Apenas a Petróleo Brasileiro SA e a mineradora Vale SA normalmente geram mais fluxo de caixa que a América Móvil, mostram os dados.

Slim pode querer atacar o mais cedo possível para tirar vantagem antes que os valores de mercado das operadoras europeias subam, disse Richard Dineen, analista em Nova York da HSBC Holdings Plc.

“Há uma janela de oportunidade e eu estaria atento para atacar ou investir o mais cedo possível”, disse Dineen. “Você pode ver o impulso e o interesse no setor. É um bom momento para fazer alguma coisa”.

Tópicos: América Móvil, Empresas, Empresas mexicanas, Bilionários, Claro, Carlos Slim, Personalidades, Empresários, Telmex, Telecom Italia, TIM, 3G, Telecomunicações, Operadoras de celular, Empresas italianas, Serviços, Empresas abertas