Cidade do México - Os detentores de bônus da América Móvil SAB que aplaudiram a decisão da empresa mexicana de telefonia de abortar uma aquisição na Europa estão dando as boas vindas à alternativa: investir no Brasil, seu segundo maior mercado, e pagar a primeira parcela da dívida.

A soma de US$ 1,6 bilhão em bônus com vencimento em 2022 emitidos pela maior operadora de telefonia celular da América Latina subiu 3 por cento no mês passado, a maior escalada entre títulos não financeiros da região classificados de forma semelhante, que deram retorno de em média 1,9 por cento.

Isso reduziu o rendimento extra que os investidores exigem para manter bônus da América Móvil em vez de bônus do governo mexicano para 0,41 ponto percentual, contra um recorde de 0,78 ponto percentual em 18 de setembro. A Barclays Plc disse que a diferença pode diminuir mais 0,15 ponto percentual.

Controlada pelo bilionário Carlos Slim, a América Móvil está recuperando a confiança do investidor com um plano para focar na região que a empresa domina, depois que em agosto a oferta da empresa de pagar 7,2 bilhões de euros (US$ 9,9 bilhões) pela empresa Royal KPN NV, com sede em Haia, ameaçou acionar um rebaixamento da dívida.

O CEO Daniel Hajj disse a investidores em 25 de outubro que a empresa analisará aquisições no Brasil, onde as vendas aceleraram no último trimestre para o nível mais rápido desde 2012. A Standard Poor’s elevou a perspectiva de classificação da empresa de “negativo” para “estável” na semana passada.

“O fato de a América Móvil ter agora uma empresa brasileira em seu radar lhe dá um grande objetivo”, disse Alejandro Hernández, que ajuda a gerenciar cerca de 50 bilhões de pesos na Grupo Financiero Interacciones SA, incluindo bônus da América Móvil. “Isso é visto como uma aquisição estratégica para eles porque este é um mercado que eles já conhecem muito bem”.

Dinheiro excedente

Um representante da assessoria de imprensa da América Móvil não respondeu a um pedido por comentário.

A empresa planeja usar a maior parte de seu dinheiro excedente neste trimestre para pagar dívida, disse o diretor financeiro Carlos García-Moreno durante uma teleconferência sobre lucros.

Embora Hajj não descarte possíveis investimentos na Europa, ele disse que a consolidação no Brasil seria “boa para todo mundo”.

A América Móvil é a terceira maior operadora de telefonia celular do Brasil, com uma fatia de 25 por cento do mercado por meio de sua marca Claro.

Especulação da TIM

Como a legislação brasileira não permite que uma empresa controle mais de 50 por cento do mercado ou possua mais de uma licença de operação, a América Móvil pode se associar à Telefónica SA para dividir a TIM com sua concorrente brasileira, a Oi SA, segundo o analista da Interdin Bolsa em Madri, Borja Mijangos.

Slim pode bancar esse acordo, escreveu o analista da Sanford C. Bernstein, Robin Bienenstock, em uma nota em 17 de outubro.

“A América Móvil foi clara de que continua aberta para aquisições na Europa e na América Latina”, escreveu Christopher Buck, analista da Barclays, em um relatório em 25 de outubro. “Também ficou claro que a empresa usará o caixa para pagar dívida e reduzir a alavancagem no curto prazo”, escreveu ele, deixando “espaço para um moderado crescimento potencial”.

Fraqueza doméstica

Os investidores ainda têm a preocupação de que a empresa possa procurar voltar para a Europa, disse Madeleine King, estrategista de bônus da Credit Suisse Group AG, em entrevista por telefone, de Londres.

“As pessoas não entendem muito bem a estratégia de aquisição da América Móvil”, disse King. “Os investidores estão tendo que supor que haverá mais negócios pela frente, mas sem realmente saber que negócios são esses”.

A empresa está certa ao se expandir para fora do México porque uma economia frágil em seu mercado doméstico desacelera o crescimento no número de assinantes, disse Hernández.

A empresa adicionou 3,1 milhões de assinantes de telefonia celular nas Américas no terceiro trimestre, não atingindo a estimativa média de 4,3 milhões de cinco analistas consultados pela Bloomberg.

“O Brasil está parecendo uma boa oportunidade para a América Móvil neste momento”, disse Hernández.

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