Nova York - Se a Anheuser-Busch InBev NV não puder tomar sua cerveja preferida, talvez ela se contente com uma Pepsi.

Com quase US$ 90 bilhões em acordos fechados nos últimos dez anos, incluindo a aquisição da fabricante da Budweiser em 2008, nenhuma empresa de bebidas gasta como a AB InBev.

A maior parte das especulações sobre a próxima jogada do gigante da cerveja de US$ 170 bilhões tem se focado na segunda maior cervejaria do setor, a SABMiller Plc. No entanto, uma companhia do tamanho e com as ambições da AB InBev tem outras opções, entre elas a PepsiCo Inc.

A AB InBev e seus assessores vêm estudando há muito tempo se uma fusão com a empresa de refrigerantes e snacks de US$ 142 bilhões tem sentido estratégica e financeiramente, disseram fontes do setor.

Mas não há negociações em andamento, nem existe uma oferta iminente. O cenário é um dos muitos avaliados pela empresa, acrescentou uma das fontes, pedindo não ser identificada porque as informações são privadas.

A AB InBev deveria pensar em algo além do mercado da cerveja, disse a Albert Fried Co. Assim, empresas como a Monster Beverage Corp. ou a Keurig Green Mountain Inc., que estão ainda mais longe do núcleo da cervejeira, entrariam no seu radar. De qualquer maneira, é pouco provável que a AB InBev saia de mãos abanando.

A cultura da AB InBev está “baseada em fazer grandes acordos, dar grandes passos à frente”, disse Richard Withagen, analista da Kepler Cheuvreux em Amsterdã, em entrevista por telefone.

“É tudo especulação sobre qual será o próximo passo. Que vai haver um próximo passo é quase certeza, eu não acho que essa empresa queira apenas gerenciar o negócio sem expandi-lo”.

Velhos conhecidos

A AB InBev e a PepsiCo se conhecem bem, disse uma das fontes, mencionando o acordo de engarrafamento das empresas na América Latina. Os negócios de refrigerantes e snacks da PepsiCo são atraentes em meio à desaceleração dos lucros na área da cerveja, disseram as fontes. Qualquer acordo entre as empresas teria que ser amistoso.

O motor de uma aquisição seriam o custo potencial e os benefícios para a receita de vender cerveja e refrigerantes através do mesmo sistema de distribuição.

A AB InBev e seus financiadores brasileiros, entre eles o bilionário Jorge Paulo Lemann, da 3G Capital, também poderiam aumentar a lucratividade da PepsiCo como fizeram após a compra da Anheuser-Busch. Lemann e seus dois velhos parceiros de negócios são proprietários da AB InBev e membros do seu conselho.

“Olhando o histórico deles, esses brasileiros sempre gostaram de histórias de autoajuda”, disse Ian Shackleton, analista da Nomura Holdings Inc. em Londres, em entrevista por telefone. “A SABMiller não preenche esse requesito”.

Uma opção poderia ser a Coca-Cola Co., disse ele. Potencialmente, há mais “alavancas para puxar em termos de redução de custos” do que na PepsiCo., que já vem reduzindo gastos em meio à pressão do investidor ativista Nelson Peltz, segundo o analista.

O maior obstáculo dos alvos fora do mundo da cerveja poderia ser que a AB InBev simplesmente se sente melhor só com a cerveja.

SABMiller

Então sobra a SABMiller. Andrew Holland do Société Générale SA diz que ela é “de longe o alvo mais atraente” para a AB InBev por causa do tamanho, da posição na África e da potencial economia de custos de um acordo. Philip Gorham, analista da Morningstar Inc., diz que uma oferta poderia custar muito e não ser do interesse dos acionistas.

“O ponto principal é que eles sempre vão ser extremamente empreendedores”, disse Shackleton da Nomura. “Eles têm um estudo de caso da Pepsi? Tenho certeza. Eles têm um da Coca-Cola? Sem dúvida. Eles têm um da SABMiller? É claro que sim. Com o preço certo, na oportunidade certa, tudo é interessante”.

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