O banco Santander ampliou o capital regulatório alterando a forma de calcular o risco operacional na unidade brasileira, medida aprovada pelo Banco Central Europeu.

A mudança contábil reduziu os ativos ponderados pelo risco (RWAs, na sigla em inglês) do Santander em 7,8 bilhões de euros (US$ 8,5 bilhões), informou o banco nas demonstrações financeiras consolidadas de 2015. 

O montante equivale a cerca de um quarto da meta de redução do banco e eleva seu índice de capital de Nível 1 em cerca de 14 pontos-base, disse um porta- voz.

O BCE permitiu que o maior banco da Espanha aplicasse a “abordagem padronizada alternativa” ao Banco Santander (Brasil), que contribui com 19 por cento do lucro líquido do grupo.

Segundo as regras estabelecidas pelo Comitê de Supervisão Bancária da Basileia, os bancos com “altas margens de juros” podem usar uma porcentagem fixa de seus empréstimos e adiantamentos, em vez da receita bruta, para calcular as exigências de capital para risco operacional.

Os investidores estão superestimando as necessidades de capital do Santander e a ameaça da crise econômica no Brasil para os lucros, afirmou a presidente-executiva do banco, Ana Botín, em carta aos acionistas no início deste mês. 

As ações caíram 45 por cento nos últimos 12 meses, conferindo ao banco um dos piores desempenhos entre as instituições monitoradas pelo índice STOXX Europe 600 Banks.

O banco planeja reduzir os RWAs em cerca de 30 bilhões de euros, o equivalente à geração de aproximadamente 3 bilhões de euros em capital, disse o diretor financeiro José García Cantera em setembro. 

O Santander possuía 584 bilhões de euros em RWAs até dezembro.

O Santander ampliou o índice de capital de Nível 1 com todos os ajustes para implementação do acordo de Basileia III (situação conhecida como fully loaded)para 10,05 por cento dos RWAs no ano passado. Ana Botín prometeu ampliar o índice para mais de 11 por cento até o fim de 2018.

O risco operacional descreve o potencial de prejuízo proveniente de processos internos, pessoas e sistemas -- incluindo riscos legais -- inadequados ou falhos ou de eventos externos, segundo a Autoridade Bancária Europeia.

Os bancos precisam separar recursos para se protegerem do risco de prejuízos como estes.

Tópicos: Balanços, Bancos, Finanças, BCE, Santander, Empresas, Empresas espanholas, Empresas abertas