São Paulo - A marca de sapatos Santa Lolla pretende lançar sua própria loja online ao longo do segundo semestre. Para isso, deve investir pelo menos 2 milhões de reais.

Hoje, ela só vende na internet por meio das parceiras Zattini, que pertence ao Grupo Netshoes, e Dafiti. 

A vitrine virtual é apenas um dos planos da empresa para este ano. Ela também quer abrir 10 franquias, principalmente para fortalecer seu nome em cidades onde já está presente. 

"Pensamos em Salvador, onde temos apenas duas lojas, Rio de Janeiro e São Paulo. Com a crise, temos muitas oportunidades de chegar a pontos de venda que antes custavam um absurdo", disse Fábio Martinez, um dos sócios-fundadores da companhia, em entrevista exclusiva a EXAME.com.

Na capital paulista, por exemplo, a Santa Lolla ainda não tem nenhuma unidade nos shoppings Pátio Higienópolis e JK Iguatemi, que estão no radar.

Outra estratégia que está na agenda da empresa para 2016 é a criação de um pequeno centro de distribuição para estocar os modelos mais vendidos.

Por enquanto, os produtos da empresa são, em sua maioria, entregues diretamente aos franqueados pelas fábricas contratadas – ela é responsável apenas pelo desenho dos modelos.

As plantas onde os calçados são feitos ficam no interior de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul.

"Temos apenas um galpão de cerca de 1.000 metros quadrados no Sul. Como os estoques das lojas também são pequenos e os pedidos de novos sapatos demoram 90 dias para chegar, acabamos perdendo vendas", explicou Martinez.

Segundo ele, o novo armazém deve ser alugado nas proximidades da fábrica do Rio Grande do Sul e deve demandar um investimento de aproximadamente 1 milhão de reais.

Expansão profissional

A Santa Lolla também estuda contratar uma consultoria para ajudá-la a construir um plano de expansão estruturado.

"Nós nunca tivemos ninguém 100% focado em fazer um trabalho bem feito nesse sentido", contou Martinez.

A empresa avalia ainda começar a participar de alguma feira de calçados para ampliar sua presença em canais multimarcas.

Os sapatos da companhia podem ser encontrados em cerca de 1.000 varejistas, número que cresceu 34% em 2015. As vendas da marca nessas lojas também aumentaram 71% naquele ano, comparadas a 2014.

Vendas

Das 130 lojas que a Santa Lolla tem no Brasil, apenas uma é própria, a mesma em que ela nasceu, em 2002, no bairro de Moema, em São Paulo. "Temos tanto para melhorar, que ainda não é hora de abrir lojas próprias", declarou Martinez.

Juntas, as franqueadas da marca tiveram um faturamento aproximado de 212 milhões de reais em 2015, segundo o sócio.

No critério mesmas lojas, que contempla unidades abertas há pelo menos um ano, as vendas cresceram em média 10% no ano passado frente a 2014, de acordo com ele.

"No primeiro semestre o resultado foi melhor. No segundo já foi empatando, mas conseguimos fechar bem", disse.

De 2013 para 2014, o avanço nas receitas foi maior, de cerca de 20%. É que no fim de 2013 a empresa aprimorou sua gestão, fez mais treinamentos e mudou o planejamento dos seus calçados.

"Fizemos um estudo para entender o que o consumidor queria e subdividimos a produção em categorias, porque até então a gente decidia o que ia fazer muito no feeling", contou.

Os resultados apontaram um novo nicho de atuação para a marca.

"Começamos a fazer sapatos não só para festas, mas para o dia a dia também, com saltos mais baixos e preços mais acessíveis. Antes a gente focava só no design", explicou Martinez.

Para 2016, a expectativa é de repetir os índices de crescimento do ano passado.

"Se o resultado se mantiver, já está bom demais. Os franqueados ficam todos assustados com a crise, mas como já vendemos toda a coleção de inverno 1 e 2 e já estamos vendendo a de verão, não acredito que as vendas vão cair", afirmou.

O executivo não quis comentar os números da franqueadora, apenas disse que seu faturamento cresceu 35% em 2015, ante o ano anterior. A empresa tem 80 funcionários próprios.

Para ser um franqueado da Santa Lolla, é preciso fazer um investimento de em média 400.000 reais. A marca cobra taxas de 18% em royalties e de 4% de fundo de promoção. Em 2015, 8 franquias foram inauguradas. 

Tópicos: Setores, Calçados, Empresas, Expansão, Franquias, Gestão de negócios, Gestão