São Paulo – Hoje à noite, Lagy Gaga se apresenta no Rio de Janeiro em sua primeira turnê no país, depois de ter demonstrado atributos pouco – ou nada – comuns a uma diva do show business. Ontem, a cantora subiu, de mototáxi, a favela do Cantagalo, no Rio, para conhecer um projeto social. Tomou uma cerveja, ensaiou passos de futebol e conversou com fãs e moradores. Parecia nem estar preocupada com a alfineta recebida, dias antes, de Madonna, que também deve se apresentar novamente no Brasil em dezembro.

“Eu tenho os melhores fãs do mundo. Então tome isso, Lady Gaga. Vocês sabem, eu a convidei ao palco para cantar comigo. Mas, ela me rejeitou. Tudo bem. Já fui rejeitada antes, isso constrói um pouco de personalidade”, disse Madonna, durante sua turnê referindo-se ao fato da outra ter recusado cantar com ela.

Mas o fato é que, tanto simpatia quanto comentários afiados não estão ajudando as duas cantoras fazer o que a indústria da música sabe de melhor: ganhar dinheiro.

As fracas vendas de ingressos de ambas preocupam empresários do setor mundo afora. A baixa performance já fez até com que locais de shows onde elas teriam de se apresentar fossem trocados para lugares menores, por receio da pouca ocupação.

No Brasil não está sendo diferente. A Time four Fun, empresa que promoverá as duas turnês sul-americanas de Madonna e Lady Gaga, já sentiu o impacto da aposta nas cantoras. No terceiro trimestre, a companhia viu seu lucro cair 29% em relação ao mesmo período do ano anterior, para 12 milhões de reais.

Para piorar, em abril o Procon-SP suspendeu a venda de ingressos para show da Madonna em São Paulo, no Estádio do Morumbi por irregularidades na venda de bilhetes. Depois da correção, as vendas continuaram, ainda com o risco de a empresa ter de pagar multa de até 6,5 milhões de reais pelo deslize.

Cenário atípico

“Trata-se de duas artistas fortes que estão com performance abaixo do esperado, uma situação atípica para o mercado”, explicou Fernando Alterio, presidente da T4F. “Normalmente, grandes estrelas requerem um maior investimento para a estrutura do show, mas o risco é menor pela atratividade de público. Desta vez, isso não está acontecendo em lugar nenhum do mundo”, disse. 

Juntas, as duas cantoras farão 18 apresentações no país. Questionado se a retração na compra de ingressos de grandes shows poderia ser uma nova fase do mercado, Alterio afirmou que não e ressaltou.

“Em outubro do ano passado, também tivemos grandes concomitantes com o Rock in Rio e, na mesma época, Britney Spears e Pearl Jam, e os resultados não foram ruins como os de agora”, disse o executivo. “Esse fraco desempenho é pontual e não deve afetar em nada nossa operação a longo prazo. Não vamos rever contratos, cachês ou promover menos shows”.

No próximo dia 13, por sinal, a T4F sinaliza que fará o anúncio da promoção de uma grande banda no país, em fevereiro do ano que vem. “Estamos fazendo outras várias negociações para a promoção de eventos na América do Sul”, afirmou Alterio.

Outros motivos

A queda do lucro da companhia também é atribuída apenas às parcas receitas trazidas pelas musas do pop. A redução da SELIC (taxa básica de juros) ao longo de 2012 e as despesas com variação cambial entre o Real e o Peso Chileno no balanço patrimonial da Companhia e sua controlada no Chile também ajudaram na queda.

Os maiores custos com as apresentações do Cirque du Soleil contribuíram mais um pouco. O fato do espetáculo ter passado por outras capitais brasileiras este ano, ao contrário do ano anterior em que as apresentações eram concentradas na capital paulista, exigiram maiores gastos com estrutura e logística.

De julho a setembro, a companhia teve receita líquida de 137,7 milhões de reais, 7% superior ao mesmo período de 2011. O ebitda teve o mesmo crescimento em porcentagem e ficou em 22,6 milhões de reais. 

 

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