Rio - O fundo de pensão da Petrobras, a Petros, informou nesta quarta-feira, 20, em nota, que optou por barrar o pedido de recuperação judicial da Sete Brasil após não ter recebido informações relevantes para a decisão sobre o futuro da empresa.

Na terça-feira, 19, após dois dias de discussões, o fundo de pensão e o banco Santander, ambos sócios na companhia responsável pelo afretamento de sondas à Petrobras, rejeitaram a estratégia de entrar com o pedido de recuperação judicial.

O tema seria discutido nesta quinta-feira, em assembleia extraordinária dos acionistas da empresa e do conselho de administração. A Sete Brasil, em nota, disse ter entregue toda a documentação solicitada.

Em nota, a Petros informou que solicitou informações que "julga relevantes para a tomada de decisão", mas que não houve retorno. Entre as informações solicitadas, o fundo listou a "identificação dos fatores chave de reestruturação; a projeção da necessidade de caixa mês a mês; a precificação da Companhia e seus ativos baseada em métricas de fluxo de caixa descontado; e a preparação de plano de reestruturação completo com diagnóstico da situação vigente".

"Como as informações não foram enviadas a tempo da reunião, a Petros avalia que ainda não dispõe dos elementos suficientes para definir sua estratégia em relação ao futuro da companhia", diz o comunicado.

Ainda de acordo com a nota, a Petros propôs a postergação da decisão sobre a recuperação judicial pelo prazo de 30 dias. Uma outra fonte próxima à Sete Brasil disse que a assembleia de acionistas que trataria do assunto, prevista para esta quinta-feira, deverá ser adiada.

Em nota, a Sete Brasil rebateu o argumento do fundo de pensão. Segundo comunicado encaminhado hoje, a empresa informou que "todos os pedidos de informações encaminhados - referentes à tomada de decisão de ontem, acerca da alternativa de estratégia de continuidade do Projeto Sondas - foram atendidos pela empresa, que segue disponível a novas demandas".

A estratégia de pedir a recuperação judicial era tida no mercado como uma forma de pressionar a Petrobras e o governo a agilizar uma definição sobre a reestruturação dos contratos para fornecimento de sondas de perfuração à estatal. O contrato inicial previa a oferta de 28 sondas, mas as negociações em curso há mais de um ano previam a redução do escopo para no máximo 14 unidades, além da revisão dos valores diários pagos pelo aluguel das embarcações.

A reestruturação, entretanto, tem encontrado resistência interna na Petrobras diante da sua delicada situação financeira e da crise em toda a indústria global de óleo e gás. Fontes da empresa sinalizaram que a intenção seria manter no contrato apenas seis sondas já em fase avançada de construção - duas estão com avanço físico acima de 90%.

Sem a redefinição dos contratos, a Sete Brasil não tem perspectiva de geração de caixa com o aluguel das sondas, que a permitiria sanar compromissos com estaleiros já contratados para a construção das sondas e garantir o retorno aos sócios investidores. Com os estaleiros, as dívidas já passam de R$ 14 bilhões e os sócios reclamam mais R$ 8 bilhões em investimentos sem retorno.

Segundo fontes próximas à negociação dos sócios nos últimos dois dias, pesou sobre a avaliação da Petros e do banco Santander o argumento de que o pedido de recuperação judicial aumentaria as perdas dos investidores. Para negociar com credores, a empresa deveria ter algum ativo para vender. Hoje, o único bem da empresa é a promessa de venda para a Petrobras.

A aprovação da recuperação dependia do voto favorável de 85% dos cotistas do fundo de investimento controlador, o FIP Sondas, do qual fazem parte bancos e fundos de pensão.

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