Rio de Janeiro - A Petrobras tem um estoque de campos de petróleo com investimentos já amortizados que permitem a ela suportar por mais dois ou três anos um cenário de baixos preços da commodity, estimou nesta sexta-feira o membro do Conselho de Administração da companhia Segen Estefen, um dos representantes do governo federal no colegiado.

Esse estoque de campos daria suporte financeiro à empresa e, segundo o conselheiro, compensaria campos com custo de produção mais elevado.

Segen Estefen, no entanto, não especificou quais seriam esses campos já amortizados que podem servir de colchão financeiro à companhia.

"Temos vários campos em que o custo do barril é de 50 dólares e parte ou a totalidade desses recursos já foram investidos para trás. Hoje, dar continuidade vai custar menos ou quase nada", disse ele a jornalistas.

"O problema é quando acabar esse estoque de campos em que você já investiu, e partir do zero. Aí fica mais complicado... o estoque é importante e o preço (baixo) perdurando por dois ou três anos, a Petrobras tem desenvolvimentos competitivos e que são rentáveis... Os campos amortizados dão fôlego à Petrobras para ela trabalhar mais alguns anos com rentabilidade", afirmou o conselheiro.

Se os preços e tecnologia atuais se mantiverem pelos próximos 10 anos, a produção do pré-sal "terá problemas" e "por isso temos que atacar a causa na raiz", afirmou o conselheiro.

"Temos que ter tecnologia, formas inovadoras de você colocar o preços em padrões rentáveis. As provedoras de equipamentos e serviços também têm que tirar a gordura do sistema, além de haver a necessidade de se fazer uma revolução tecnológica", afirmou ele a jornalistas após um evento no Rio de Janeiro.

A Petrobras anunciou esta semana uma reestruturação que inclui redução de cargos, funções e gerências que podem proporcionar uma economia anual de até 1,8 bilhão de reais.

BR DISTRIBUIDORES

Estefen, que também acumula a presidência interina do Conselho de Administração da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, informou que no momento há quatro ou cinco nomes "de mercado" sendo analisados pela empresa para assumir a presidência-executiva da empresa de comercialização e distribuição de derivados de petróleo.

Em setembro do ano passado, o então presidente da BR Distribuidora, José Lima de Andrade Neto, apresentou pedido de renúncia, por motivos de saúde. Atualmente, o cargo é ocupado interinamente por Ivan de Sá Pereira Junior.

A perspectiva é de que até abril o nome do novo presidente seja escolhido, segundo Estefen.

Um dos desafios apontados para a escolha seria o salário oferecido pela subsidiária, considerado mais baixo do que a média dos grandes executivos do mercado.

Segundo Segen Estefen, essa suposta barreira já está sendo equacionada e o salário não será um empecilho para a escolha do novo nome.

"Os quatro ou cinco nomes são pessoas de fora. Temos entendimentos e órgão do governo para isso (definição de salário competitivo)", acrescentou.

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