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Zetsche: "Dá para dizer que a China, literalmente, salvou o capitalismo. Nossas vendas naquele mercado não param de crescer"
Dieter Zetsche, 58 anos, nascido na Turquia, é o CEO da alemã Mercedes-Benz desde 2005 - assumiu o cargo depois de dirigir as operações da Chrysler, então parte do grupo, nos Estados Unidos. "Doktor Zetsche", ou "Dr. Z", como ficou conhecido, é o comandante-em-chefe de um plano que pretende fazer que a marca alemã, que patenteou o primeiro motor a combustão (lá se vão 126 anos...), recupere o topo entre os fabricantes de carros de luxo (hoje nas mãos da também alemã BMW).
Isso inclui uma ofensiva com seis novos produtos, no ano passado, outro tanto este ano e uma parceria com a Renault-Nissan para fazer uma plataforma para carros compactos, que será compartilhada pelo Smart e o Renault Twingo, e novos motores. Zetsche trabalhou no mercado brasileiro e por enquanto descarta a volta da produção de automóveis na linha de montagem de Juiz de Fora, que produziu modelos Classe A nos anos 1990.
- Dá para retomar a liderança em vendas no segmento de luxo a curto prazo?
Dieter Zetsche - Faremos de tudo para isso. Queremos chegar a 2020 com 2 milhões de carros Mercedes e Smart produzidos mundialmente. Apesar das incertezas da economia, no ano passado vendemos 1,36 milhão de carros. É um recorde para a marca, desde que inventamos o automóvel, há 125 anos. Mas temos fome para ir mais longe: apresentamos o SL em Detroit e lançaremos seis modelos em 2012.
- Com a Europa em crise, quem puxou este número de vendas para cima?
Zetsche - Dá para dizer que a China, literalmente, salvou o capitalismo. Nossas vendas naquele mercado não param de crescer. Um chinês bem-sucedido gosta de demonstrar seu sucesso, representado num automóvel de luxo. Na comparação com 2010, crescemos em todos os países emergentes. Também foi um ótimo ano nos Estados Unidos, apesar de a recuperação econômica não ter acontecido tão rápido como gostaríamos. Vedemos 267.000 carros, 17,5% a mais que em 2010. E o crescimento foi maior no segmento premium. Muitos destes carros foram produzidos em nossas linhas de produção americanas.
- Qual a vantagem?
Zetsche - Produzir localmente significa reduzir a exposição ao câmbio. Montar mais carros em nossas fábricas americanas ajuda a reduzir a exposição do dólar em relação ao euro em algo como 16 bilhões de dólares. É um bocado de dinheiro.
- O senhor mencionou o plano de produzir 2 milhões de carros, crescimento de quase 80%. Como espera fazer isso?
Zetsche - O caminho é ampliar o nosso portfólio de produtos. Ainda este ano, lançaremos o novo Classe A. E, mais para frente, faremos mais três carros para o público mais jovem. Muitos destes carros serão equipados com motores 4 cilindros, que produzimos em parceria com a Renault-Nissan, uma forma de juntar competências e cortar custos de desenvolvimento. Claro que sem descuidar de carros como a nova geração do cupê SL, que revelamos em Detroit, um carro com tecnologia para ser ágil, de um lado, e oferecer economia de combustível e menos emissões de CO2. Em duas gerações de produtos reduzimos o consumo em uma média de um terço para modelos similares.
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