São Paulo - Não é por acaso que Jeff Bezos é o 19º homem mais rico do mundo (12º nos Estados Unidos), segundo a Forbes, com uma fortuna estimada em 27,2 bilhões de dólares. O dono da Amazon - que em agosto também adquiriu o renomado jornal The Washington Post - é um empresário com atitudes que podem classificadas como um tanto incomuns e, porque não, intrigantes.

Conheça alguns segredos de Bezos, revelados no livro "The Everything Store: Jeff Bezos and the Age of Amazon" (algo como "A loja que vende de tudo: Jeff Bezos e a Era da Amazon), lançado este mês pelo jornalista Brad Stone, da revista Bloomberg Businessweek, que há 15 anos escreve sobre a Amazon e tecnologia, no Vale do Silício. A obra ainda não tem tradução para o português.

O e-mail com a interrogação

Como já havia sido publicado em Exame.com, Bezos não só costuma ler muitos e-mails com reclamações de consumidores (pelo endereço jeff@amazon.com), como também frequentemente encaminha as dúvidas para os responsáveis pelo setor onde há o problema.

A mensagem, segundo Brad Stone, chega como uma "bomba-relógio" aos funcionários da Amazon, e eles correm contra o tempo para conseguir as respostas adequadas para dar ao chefe. Tudo o que Bezos quer, é que o seu cliente seja realmente ouvido dentro da empresa.

O "sombra"

Dentre os cargos promissores existentes na Amazon, talvez o mais cobiçado seja o de "sombra" de Jeff Bezos. Batizado informalmente dessa maneira, o posto dá a quem o ocupa acesso praticamente ilimitado ao presidente da Amazon. O sortudo está sempre com Bezos: viaja com ele, senta ao seu lado nas reuniões e se aconselha com o empresário no fim de vários dias de trabalho. Segundo Stone, Jeff Bezos tem um "sombra" desde o final da década de 1990.

Nos primeiros anos, a tarefa normalmente era dada a algum executivo que chegasse à Amazon em uma aquisição e buscava crescer rapidamente. Um dos primeiros foi Stig Leschly, que era presidente da loja de compras online Exchange.com, comprada por Bezos em 1999. Leschly comandava um serviço dentro da Amazon chamado ZShops. Ele estava preparado para deixar a empresa, em 2000, quando foi comunicar a decisão ao chefe e foi convidado ser o seu sombra. 

O comportamento "explosivo"

De acordo com Stone, o temperamento explosivo é comum em dirigentes de empresas de tecnologia. Segundo ele, assim como Steve Jobs chegou a demitir funcionários da Apple no elevador e "berrar" com executivos de baixa performance, Bill Gates costumava dar "birras" homéricas na Microsoft e seu sucessor, Steve Ballmer, costuma jogar cadeiras pelo ar. Bezos não foge à regra.

De acordo com o jornalista, a capacidade que o empresário tem de ser charmoso e bem humorado em público, é proporcional à de "passar dos limites" em privado. Se um funcionário não tem as repostas certas para Bezos, ou leva crédito pelo trabalho de outra pessoa, ou não se dedica o suficiente, ele chega a perder a linha. Entre as coisas que ele já chegou a dizer para os veteranos da Amazon, relata por eles mesmos a Stone estão as frases:

"Você é preguiçoso, ou somente incompetente?"

"Me desculpe, eu tomei minhas pílulas de estupidez esta manhã?"

"Eu preciso descer e buscar o certificado que diz que eu sou o presidente desta companhia para você parar de me desafiar nisto?"

"Você está tentando levar crédito por algo com o que você não tem nada a ver?"

"Se eu ouvir isto novamente, vou me matar."

"Nós precisamos aplicar um pouco de inteligência humana neste problema."

"Eu acho que a cadeia de suprimentos não está fazendo nada de interessante este ano". (Após revisar o plano anual da equipe de cadeia de suprimentos) 

"Este documento foi claramente escrito pelo time B. Alguém poderia me dar o documento do time A? Eu não quero desperdiçar meu tempo com o documento do time B." (Após ler um memorando inicial de reunião) 

"Por que vocês estão desperdiçando a minha vida?" (Após uma apresentação da engenharia)

A procura incessante por novos negócios

Jeff Bezos acredita cegamente no poder transformador da tecnologia. Assim, ele procura sempre reinvestir os lucros da Amazon nos seu negócio existente e também em novos ramos - o que, segundo Stones, deixa alguns acionistas de cabelo em pé. Este foi o motivo da compra do The Washington Post, em agosto. 

A obrigatoriedade da entrega de números

No livro, Stone revela que, uma vez por semana - geralmente na terça-feira) - vários departamentos da Amazon têm que se reunir com seus gerentes para revisar planilhas de dados importantes para o negócio. Aqui, não há espaço para anedotas de clientes, só interessam números: dados que demonstrem o que está e o que não está funcionando na companhia, como os consumidores estão se comportando e a forma como a empresa global está atuando.

Dave Cotter, um funcionário que trabalhou por quatro anos como gerente de várias divisões da Amazon disse a Stone: "isso é o que, para os empregados, é tão absolutamente assustador e impressionante sobre o time executivo. Eles forçam você a olhar para os números e responder toda e cada pergunta sobre coisas específicas que estão acontecendo".

O pai biológico que não sabia quem ele é

Na infância, Bezos foi criado pela mãe e os avós. Na última vez em que viu seu pai biológico, tinha três anos, segundo o livro. Ele foi adotado pelo mexicano Miguel Bezos, que casou-se com sua mãe, posteriormente. O pai biológico, Ted Jorgensen, foi encontrado pelo repórter após uma longa investigação em 2012 e revelou que não sabia que o filho era o dono da Amazon.

Segundo Stone, ao ouvir sobre o primogênito depois de tanto tempo, o pai de Jeff Bezos teria perguntado: "ele ainda está vivo?". O jornalista respondeu: "Seu filho é o homem mais bem-sucedido do planeta". Segundo Stone, os olhos do pai então "se encheram de tristeza e icredulidade".

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