Rio - Em meio às negociações com centenas de credores, a OGX trabalhará em outras duas frentes durante o processo de recuperação judicial: a busca de dinheiro novo que, para este ano, teria de corresponder ao mínimo de US$ 75 milhões, e a tentativa de convencer a empresa malaia Petronas a manter o acordo de compra de ativos do grupo.

Todas as tarefas são difíceis de ser atingidas e o próprio grupo responsável pela operação considera possível o pedido de rescisão de acordo pela Petronas no meio do processo de recuperação. Caso isso ocorra, o litígio judicial é dado como certo.

A OGX estuda pedir na Justiça indenização, sob a alegação de que a Petronas descumpriu a condição de aportar US$ 250 milhões na empresa para o desenvolvimento da produção do campo de Tubarão Martelo, o que teria, na avaliação da empresa de Eike, contribuído para detonar o processo de recuperação judicial. Procurada, a Petronas ainda não retornou. No processo de derrocada da OGX, Eike Batista também não honrou o compromisso da put (injeção de recursos) de US$ 1 bilhão na OGX.

O processo de reestruturação da empresa está sendo conduzido pelo escritório da advocacia Mattos Filho. De acordo com o advogado Eduardo Secchi Munhoz, a mesma proposta de acordo feita ao grupo que representava pouco mais de 50% dos bondholders (portadores de bônus) será estendida a todos os credores para avaliação.

As negociações devem se prolongar por até seis meses, quando uma assembleia de credores decidirá se aceita ou não os termos. A aceitação terá de ser referenda pela maioria simples dos credores e também abranger mais da metade dos créditos totais US$ 4,2 bilhões de fornecedores e detentores de títulos. Em caso de aprovação, é dado início à reestruturação da empresa; se os credores rejeitarem, é convocada nova assembleia.

Pelo cronograma de fluxo de caixa apresentado pela OGX aos credores internacionais de bônus, para o período 2014-2020, tudo leva a crer que pagamentos mais substanciais na recuperação judicial comecem apenas daqui a três anos. A projeção da petroleira é ter fluxo de caixa livre positivo pela primeira vez em 2017.

O cenário desenhado pela OGX aos credores prevê caixa negativo de US$ 161 milhões em 2014, US$ 404,5 milhões em 2015 e US$ 105,3 milhões em 2016. Em 2017 o montante iria para o azul, chegando a US$ 196,5 milhões. A expectativa combina com o substancial aumento da produção de petróleo da empresa no período: de 5,043 milhões de barris de petróleo em 2014 para 9,125 milhões de barris de petróleo em 2017. A receita prevista para aquele ano é de US$ 846,1 milhões. O pico do fluxo de caixa livre seria o ano de 2019: US$ 460,6 milhões.

Tópicos: Empresas, OGpar -ex-OGX, Petróleo, gás e combustíveis, Indústria do petróleo, OGXP3, Petronas, Recuperações judiciais