São Paulo – A Petrobras vai fechar 2011 devendo um desempenho mais emblemático – a ponto de deixar os investidores impacientes. “A Petrobras não entregou praticamente nada”, afirma Ricardo Corrêa, analista de energia da corretora Ativa

No topo da lista das frustrações do mercado, está a produção da estatal, que deve encerrar abaixo da meta pelo terceiro ano consecutivo. Oficialmente, a empresa afirma que lutará até o último dia do ano para atingir a produção esperada de 2,1 milhões de barris de petróleo por dia.

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, chegou a apontar que a companhia vai atingir um pico de produção de 2,2 milhões de barris em dezembro. Os analistas afirmam, porém, que mesmo o pico será insuficiente para colocar a média diária de produção dentro da meta.

Entre janeiro e setembro, a estatal produziu pouco mais de 2 milhões de barris diariamente. Caso o pessimismo do mercado seja confirmado, este será o terceiro ano consecutivo que a Petrobras não bate sua meta.

Sal grosso

Acostumada a lidar com termos como pós-sal e pré-sal, a Petrobras precisa também de um pouco de sal grosso. Segundo os especialistas, até o azar rondou a estatal neste ano. O caso é o do Campo de Golfinho, no litoral do Espírito Santo.

Uma das boas apostas da Petrobras para 2011, Golfinho não rendeu o que se esperava – atualmente, ele produz mais água do que petróleo. Por volta de outubro, o campo produzia cerca de 26.000 barris diários, menos de 10% dos 300.000 estimados.

O problema é que um aquífero invadiu a reserva de petróleo – algo que ocorre, geralmente, só no fim da vida útil da jazida. “Golfinho foi uma grande frustração neste ano”, afirma Corrêa, da Ativa.

Paradas imprevistas

O grande número de paradas para manutenção não programadas também atrapalhou a Petrobras neste ano. “As paradas ocorreram, porque a ANP intensificou sua fiscalização”, afirma Luiz Broad, analista de petróleo da Ágora Invest.

Somente no terceiro trimestre, a Petrobras deixou de produzir 52.000 barris por dia com paradas programadas e não programadas. No primeiro grupo, está a manutenção das plataformas P-35 e P-37. No segundo, estão a P-20 e outra intervenção na P-37.

Acelerar

A Petrobras terá que acelerar o ritmo, se quiser acalmar os ânimos dos investidores no ano que vem. “O maior problema é aumentar o ritmo de produção no curto prazo”, afirma Broad, da Ágora.

Segundo o analista, uma taxa de crescimento da produção que contentaria os investidores ficaria entre 4% e 5%. Mas os anos recentes, em que não cumpriu a meta, deixam parte do mercado cético. “Não vejo uma grande virada da Petrobras no ano que vem”, diz Corrêa, da Ativa.

Depois de três anos de metas não cumpridas, 2012 deixará pouca margem para mais uma frustração da Petrobras.

Tópicos: Ineficiência, Gestão, José Sérgio Gabrielli, Executivos, Políticos brasileiros, Políticos, Política no Brasil, Petrobras, Empresas, Capitalização da Petrobras, Estatais brasileiras, Petróleo, gás e combustíveis, Empresas brasileiras, Empresas estatais, Empresas abertas, Indústria do petróleo, Energia, Petróleo, Planejamento, Retrospectiva de 2011