São Paulo - Enquanto no mundo todo o turnover de funcionários cresceu - significativamente ou moderadamente - em 38% das empresas nos últimos três anos, no Brasil o fenômeno foi observado em 82% das companhias, um número mais de duas vezes maior. Os dados são de uma pesquisa realizada no início do semestre pela consultoria Robert Half que foi divulgado recentemente.

Para o estudo, foram entrevistados 1.775 diretores de recursos humanos de 13 países, sendo 100 brasileiros. 

Por outro lado, de acordo com o levantamento, o país em que houve a maior diminuição de perda de profissionais foi a Itália, com 39% das empresas. No mundo todo, a média foi de 18%, enquanto no Brasil, a saída de colaboradores diminuiu em apenas 13% das organizações.  

"Comparado a outros mercados, o Brasil vive um momento em que, apesar de não estar superaquecido, os mais qualificados estão empregados. Por aqui, há uma expectativa de crescimento profissional muito grande e quando o funcionário não encontra essa oportunidade na sua empresa atual, ele aceita uma proposta melhor muito facilmente", considera Mário Custódio, gerente da divisão de recursos humanos da Robert Half.

"Já na Itália e em toda a Europa, as pessoas têm um pensamento cultural forte de desenvolver a carreira, de estabilidade. Sem contar que quando a economia está em queda, a tendência é que o turnover diminua porque as pessoas ficam muito inseguras e querem preservar seus empregos", afirma Custódio. 

Veja a tabela:

País Aumentou significativamente Aumentou moderamente Diminuiu moderadamente Diminuiu significativamente Manteve
Todos os países 7% 31% 13% 6% 43%
Austrália 13% 33% 10% 2% 43%
Bélgica 2% 28% 16% 7% 48%
Brasil 13% 69% 9% 4% 5%
Chile 4% 42% 25% 10% 19%
Emirados Árabes Unidos 5% 31% 15% 5% 44%
França 9% 18% 11% 10% 54%
Alemanha 3% 25% 14% 5% 54%
Hong Kong 7% 39% 4% 3% 47%
Itália 1% 23% 21% 18% 37%
Cingapura 11% 31% 10% 2% 46%
Suíça 6% 32% 12% 2% 48%
Holanda 5% 27% 18% 5% 45%
Reino Unido 14% 35% 7% 3% 42%

Motivos

No Brasil, os principais motivos que levam os funcionários a quererem deixar seus empregos, segundo a pesquisa, são remuneração baixa e falta de reconhecimento (33%), desmotivação (30%), preocupação com o futuro da companhia (29%) e baixo equilíbrio entre trabalho e vida pessoal (26%). 

"Além disso, um ponto muito importante observado pela Robert Half, mas que não está especificado na pesquisa, é a insatisfação com a liderança direta", segundo Custódio. 

A dificuldade em reter os talentos e as causas do crescimento do turnover não são segredo em nenhum lugar do mundo. Em todos os países pesquisados, a maioria dos diretores de recursos humanos disse que a razão para o aumento da perda de funcionários para a concorrência foi justificada. No mundo todo, a média foi de 56%, enquanto no Brasil o número foi de 59%.

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