São Paulo - A Natura detalhou hoje (22/7) os resultados do primeiro semestre, divulgados na noite desta quarta-feira. Na teleconferência com analistas (leia a reportagem), a empresa destacou seus investimentos na área de logística, como a inauguração de dois novos centros de distribuição no Brasil e uma unidade de produção terceirizada em algum país da América Latina em que já atua.

A Natura busca redesenhar sua malha de distribuição no Brasil. Segundo Roberto Pedote, vice-presidente de finanças e jurídico da Natura, o objetivo é reduzir custos, impacto ambiental e tempo de entrega. Por enquanto, o desenho do trabalho está pronto, mas as mudanças devem ser concluídas no primeiro ou segundo trimestre de 2011.

A empresa vai abrir dois novos centros de distribuição no país entre setembro e outubro de 2010, em Belém (PA) e Uberlândia (MG). Além disso, a Natura está aumentando a capacidade de seus cinco centros de distribuição existentes. Com isso, ela espera reduzir o prazo de entrega. Uma parte da evolução da margem de ebitda no semestre veio de ganhos importantes no "ciclo dos pedidos" (tempo de entrega dos produtos), segundo Pedote. Colaborou para isso a participação dos pedidos feitos pela internet pelas consultoras - a participação era de 30% há 3 anos e agora é de 84% via internet.

A Natura possui um projeto piloto em São Paulo - as "Casas Natura" - e está em fase de estudo dos resultados apresentados. "Ainda não há uma decisão de como será o próximo passo", segundo Pedote.

Exterior

Atualmente toda a produção das operações da Natura na América Latina vem do Brasil, e a empresa quer uma unidade de produção em algum dos países em que atua na América Latina até o final deste ano. A Natura pretende encerrar 2011 com unidades de produção em três desses países. O modelo adotado será de contratação de produtores locais e não de fábrica própria. A empresa já está conversando com possíveis companhias nos países há alguns meses, segundo Pedote.

Com as operações internacionais, a Natura espera trabalhar com custos de transporte menores, diminuir a exposição cambial e reduzir a emissão de carbono, segundo a empresa. "Produção local faz sentido em alguns desses países", disse Pedote. Há uma equipe da Natura em Buenos Aires, cuidando da estratégia e execução da área internacional.

Entre as operações da Natura do exterior, Argentina, Chile e Peru são operações em consolidação e obtiveram ebitda positivo (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) nesse período. Já Colômbia e México, operações em implantação, registraram ebitda negativo de 6,4 milhões de reais no segundo trimestre de 2010. "Esses dois países ainda têm um tempo de maturação, mas ainda não apontamos uma data em que eles ficaram positivos", disse Pedote.

Nas operações internacionais atuais, excluindo a Venezuela, o crescimento foi de 43,3% no trimestre e 43,1% no acumulado do ano em moeda local ponderada. A empresa define como operações internacionais suas atividades diretas na Argentina, Chile, Peru, México, Colômbia, sua atuação por meio de distribuidores na Bolívia e na América Central, sua operação na França e os gastos da sua estrutura dedicada, hoje baseada na Argentina, e projetos dedicados a essas iniciativas. Nestas operações são 833 gerentes de relacionamento que administram 178.000 consultoras.

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