São Paulo – A Dudalina, companhia tradicional no segmento de camisas para homens, há cerca de um ano vem desenvolvendo camisas também para mulheres e depois disso passou, quase que diariamente, a refazer seus planos de crescimento para os próximos anos. O motivo? A boa aceitação do produto no varejo.

A Dudalina quer  faturar 1 bilhão de reais até 2016. O valor é quatro vezes maior que (o valor) que a companhia estima ter de receita neste ano: cerca de 250 milhões de reais. “Mas pode mudar a qualquer momento”, afirma Sônia Hess, presidente do grupo Dudalina e filha dos fundadores da empresa. A executiva concedeu entrevista a EXAME.com. 

Somente neste ano, o varejo de moda feminina deve faturar cerca de 140 bilhões de reais no país, segundo dados do setor.  E é nesta esteira que a Dudalina quer pegar carona para expandir a sua atuação. 

Segundo Cláudio Felisoni, coordenador do Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração (Provar/Fia), a proposta da Dudalina é ousada para uma companhia que atua em um mercado saturado por marcas especializadas em moda feminina. 

O especialista acha um tanto exorbitante a estimativa de faturamento de 1 bilhão de reais em tão pouco tempo. “Significa que a Dudalina precisa conquistar quase 1% desse mercado pelo menos. Mas a concorrência é muito grande”, afirmou Felisoni. 

Esse cenário, no entanto, parece não preocupar a empresária. Tanto que Sônia não reconhece que esteja atrasada para explorar o segmento de moda para mulheres. Para ela, tudo aconteceu no seu tempo, assim como os próximos passos que a companhia pretende dar daqui para frente. 

Já  Felisoni afirma que é tardia, sim,  a entrada da empresa no segmento de moda para mulher. De acordo com ele, a companhia durante décadas simplesmente deixou de atender 50% do varejo. “E é importante lembrar que o mercado feminino tem mais potencial, pois as mulheres, por natureza, são mais consumistas e movimentam boa parte do setor”, disse.
 
Dificuldades
 
Se a exploração do segmento de moda feminina foi tardia ou não. Outro entrave que a Dudalina pode topar é a falta de oferta de pontos de venda para abertura de lojas, estratégia fundamental para que a companhia alcance o seu primeiro bilhão.
 
Segundo Sônia, neste ano, pelo menos 15 unidades Dudalina Feminina devem ser abertas até dezembro. “Já estamos conversando com alguns shoppings, mas muitos não têm disponibilidade imediata”, afirmou. “O Cidade Jardim, em São Paulo, tem fila de espera de mais de ano”, disse a empresária.
 
As lojas Dudalina precisam estar localizadas em shoppings voltados para atender as classes A e B, uma vez que a marca é destinada a este público.  Hoje, três unidades Dudalina  já estão em operação: no aeroporto de Congonhas, no shopping Morumbi, ambas em São Paulo, e no shopping Barigui, em Curitiba. Mas boa parte das vendas, mais de 85%, vem das redes multimarcas. Mercado que a Dudalina não pretende abandonar. 
 
Crescer por meio de franquias é uma das possibilidades para a Dudalina e já existem conversas neste sentido. “Mas não queremos crescer de forma desordenada. Por isso, a escolha dos nossos franqueados será feita com muita cautela”, afirmou Sônia.
 
Cuidado parece mesmo ser o lema da família Dudalina, assim como a produção das camisas feitas com algodão importado e colhido à mão. Já os botões são de swarovski ou de madrepérolas. Tanto zelo, no entanto, acaba também tendo um preço: afinal, uma camisa feminina da Dudalina não sai por menos de 230 reais.

Tópicos: Diversificação, Dudalina, Empresas, Expansão, Herdeiros, Gestão, Roupas, Setores, Shopping centers, Varejo, Comércio