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Luiza Trajano, presidente do Magazine Luiza: Com 456 lojas em sete estados, a rede ainda não atua no Nordeste
São Paulo - Nesta semana, começaram a circular informações na imprensa de que o Magazine Luiza estaria negociando a aquisição de duas redes ao mesmo tempo - a paraibana Lojas Maia e a gaúcha Lojas Colombo. Se concretizados, os negócios transformariam a varejista paulista na segunda maior do setor de móveis e eletroeletrônicos, com um faturamento aproximado de 6,1 bilhões de reais. Mas, entre as duas opções, a Lojas Maia é a que mais traria vantagens para o Magazine.
O motivo é óbvio. Com 456 lojas em sete estados, o Magazine Luiza ainda não atua no Nordeste. A eventual aquisição da Lojas Maia colocaria nas mãos de Luiza Helena Trajano, a presidente do Magazine, cerca de 150 lojas em nove estados da região: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. "O Nordeste é a região brasileira que mais cresce com o PIB chinês, por isso, faria sentido a chegada do Magazine Luiza", diz Renato Meirelles, sócio diretor do Instituto Data Popular, especializado em consumo de baixa renda.
Consumidores ávidos
Para Meirelles, há uma demanda crescente por eletroeletrônicos no Nordeste, produtos que são o carro-chefe do Magazine Luiza. Na região, a posse de alguns eletrodomésticos e eletrônicos é inferior à média do país. Máquinas de lavar roupas, por exemplo, têm penetração de 78% nas classes A e B, enquanto no Brasil a média é de 94%. Na classe C, a posse de computador é de 50%, e no Brasil é de 60%. A massa de renda do Nordeste prevista para 2010 é de 179 bilhões de reais - 13% da massa de renda prevista para o Brasil, de 1,38 trilhões de reais, segundo o Instituto Data Popular.
Na última década, consolidou-se a parceria entre varejistas e bancos para oferecer crédito e outros serviços aos consumidores, como cartões, seguros e garantias estendidas. Criada em 2001, a LuizaCred é a financeira do Magazine Luiza em parceria com o Itaú Unibanco. Com mais de 1 milhão de clientes, a empresa encontraria um bom mercado no Nordeste.
De acordo com Meirelles, o dinheiro ainda é o meio de pagamento mais usado na região, seguido pelo carnê. "Mais gente paga em dinheiro porque recebe em dinheiro", diz. O uso de cartão vem crescendo, mas ainda é inferior à utilização desse meio de pagamento no sul e sudeste. "Há demanda na região por serviços diferenciados de crédito, como o que o Magazine oferece", afirma. Resta saber como seriam as relações entre a varejista e o Banco do Brasil, parceiro da Lojas Maia. O BB é o responsável por financiar as compras dos clientes da rede paraibana, além de conceder cartões de crédito.
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