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A Vale, maior empresa privada brasileira, está nos estágios finais da formação de um consórcio de bancos para financiar a compra da mineradora anglo-suíça Xstrata, sexta maior do mundo. De acordo com executivos familiarizados com as negociações, a Vale já obteve sinalização positiva de pelo menos oito bancos estrangeiros, entre eles HSBC, Credit Suisse, Citigroup, Santander, BNP Paribas, Barclays e RBS. A aquisição da Xstrata custaria entre 70 e 90 bilhões de dólares à Vale. Segundo um executivo próximo à cúpula da mineradora, as conversas estão adiantadas, o que pode acelerar a divulgação da oferta. Nesta sexta-feira, as ações da Xstrata tiveram uma valorização de 8,6% em razão dos rumores de que a oferta da Vale era iminente.
Para viabilizar a transação, os executivos da Vale trabalham para resolver uma complexa equação: como comprar a Xstrata e, mesmo assim, manter o status de empresa com grau de investimento, considerada um porto seguro pelos investidores? "Em resumo, eles precisam oferecer o máximo possível em ações da Vale, e menos em dinheiro", diz um executivo próximo à mineradora. "Assim, reduziriam o tamanho da dívida necessária para fazer a aquisição e, com isso, manteriam o grau de investimento". Somente com o grau de investimento garantido os bancos teriam disposição de emprestar o montante que a Vale precisa para fazer a oferta. Num momento difícil para o mercado de crédito, em que as principais instituições financeiras do mundo anunciam prejuízos históricos, os bancos encontrariam grandes dificuldades em colocar dinheiro numa operação efetuada por uma empresa considerada insegura pelos investidores.
Aquisições feitas com um misto de dinheiro e ações são comuns, mas se tornam mais difíceis em empresas com a estrutura acionária da Vale. A mineradora brasileira tem ações ordinárias e preferenciais. Para que uma fusão com a Xstrata não altere seu bloco de controle, a moeda nas mãos dos executivos da Vale são suas ações preferenciais, sem direito a voto. Aí, portanto, está o problema: em negociações que acontecem há semanas em Londres, a Vale tenta convencer os donos da Glencore, maior acionista da Xstrata com 35% do capital, a aceitar um pacote de ações preferenciais como pagamento. Segundo EXAME apurou, a probabilidade de que a Glencore aceite a oferta em ações preferenciais cresceu significativamente nos últimos dias. Caso o negócio vá adiante, a Vale diversificaria ainda mais suas operações, em áreas como carvão e cobre, e formaria um gigante estimado em 220 bilhões de dólares.
Não se descarta, porém, que os executivos da Vale desistam de fazer a proposta, dado o risco da operação. Uma oferta desse tamanho seria o mais agressivo passo já dado por uma empresa brasileira no mercado internacional - a transação seria pelo menos quatro vezes maior que a aquisição da canadense Inco, em 2006. Uma porta-voz da Vale afirmou que a empresa não comenta rumores.
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