São Paulo - O Itaú Unibanco, maior banco privado do país, superou as expectativas do mercado com lucro líquido recorrente de 4 bilhões de reais no terceiro trimestre, colhendo os frutos do seu conservadorismo na concessão de crédito e da busca por maiores ganhos com serviços.

O lucro recorrente representou alta de quase 18 por cento sobre o resultado obtido um ano antes e ficou acima dos 3,78 bilhões de reais esperados por analistas. O lucro líquido contábil foi de 3,9 bilhões de reais contra 3,37 bilhões um ano antes.

A seletividade no crédito, com foco maior em segmentos como o imobiliário e o consignado, ajudou o banco a reduzir a inadimplência no terceiro trimestre, com índice acima de 90 dias de 3,9 por cento, um recuo ante os 4,2 por cento do trimestre imediatamente anterior e os 5,1 por cento do período de julho a setembro de 2012.

Com isso, as despesas com provisões para devedores duvidosos recuaram 25,9 por cento, passando de 6,12 bilhões para 4,54 bilhões de reais no período. O Retorno Sobre Patrimônio Líquido anualizado (ROE), medida de rentabilidade para bancos, foi de 20,8 por cento, ante 17,5 por cento no mesmo intervalo de 2012.

Em teleconferência com jornalistas, o diretor corporativo de Controladoria do Itaú Unibanco, Rogério Calderón, informou que o foco em setores de menor risco será mantido por um "grande período".

Assim, linhas considerados menos arriscadas, como as destinadas à compra de imóveis e com desconto em folha devem seguir crescendo mais rápido que a média. Com isso, a inadimplência deve continuar a cair, afirmou o executivo.

As receitas de prestação de serviços somaram 5,59 bilhões de reais no terceiro trimestre, avanço de 28,9 por cento ante os 4,3 bilhões registrados um ano antes, devido aos esforços da instituição financeira em ampliar ganhos nesta área.

Os resultados agradaram o mercado, e as ações do Itaú Unibanco ficaram entre as maiores altas do Ibovespa, cotadas a 34,50 reais às 15h13 (alta de 3,35 por cento), enquanto o índice recuava 1,31 por cento.

A qualidade dos ativos foi apontada como destaque pelo analista do JPMorgan Securities em Nova York, Saul Martinez. "O Itaú alterou dramaticamente seu perfil de risco de crédito nos anos recentes, e isto está contribuindo para uma evolução de qualidade de ativos muito positiva." Os outros dois bancos privados de capital aberto - Bradesco e Santander - divulgaram seus resultados na semana passada e também mostraram esforços para melhorar a qualidade dos seus ativos, embora o resultado do Itaú tenha sido o único a superar a previsão dos analistas.

Margem 

Outras consequências da estratégia adotada pelo Itaú Unibanco foram o avanço mais modesto da carteira de crédito e a menor margem financeira gerencial.

A carteira de crédito (incluindo avais e fianças) encerrou o terceiro trimestre em 456,5 bilhões de reais, alta de 9,3 por cento ante o mesmo trimestre do ano passado. Incluindo títulos privados, a carteira total foi de 481 bilhões de reais. Para o ano, a expectativa é registrar avanço de crédito total de 8 a 11 por cento.

A mudança na composição da carteira de crédito do banco, com foco nestas modalidades mais seguras e com menor retorno, provocou uma queda na margem financeira com clientes na comparação anual, passando de 11,96 bilhões de reais para 11,49 bilhões.

Excluindo as provisões para risco de crédito, a margem com clientes foi de 6,5 por cento, mesmo nível de um ano antes, o que significa uma retomada ante o primeiro e o segundo trimestres deste ano, quando esta margem ficou em 5,9 e 6,4 por cento, respectivamente.

Como um todo, margem financeira gerencial do Itaú Unibanco somou 11,8 bilhões de reais no terceiro trimestre, 7,6 por cento abaixo dos 12,81 bilhões registrados um ano antes.

O principal motivo para esta queda foi a menor margem financeira com o mercado, que reflete as operações de tesouraria. Este item somou 340 milhões de reais no terceiro trimestre, enquanto um ano antes havia somado 849 milhões de reais.

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