Carl Icahn nomeou 42 pessoas para preencherem 94 assentos em conselhos de empresas de capital aberto, da eBay à Herbalife, nos últimos cinco anos. Nenhuma delas era mulher.

Outros investidores ativistas, incluindo Dan Loeb e seu fundo Third Point Partners e Jeffrey Ubben, da ValueAct Capital Management, não foram muito melhores. 

Desde o começo de 2011, cinco dos maiores fundos ativistas dos EUA buscaram pelo menos 174 cargos em conselhos e conseguiram 108, mas nomearam mulheres em apenas sete oportunidades, segundo dados compilados pela Bloomberg. As candidatas mulheres conseguiram cinco assentos, ou 5 por cento do total.

Nas empresas do Standard Poor’s 500 Index, durante o mesmo período, cerca de 26 por cento das vagas de direção, ou 446 assentos, foram preenchidas por mulheres, segundo a agência de recrutamento de executivos Spencer Stuart. 

As mulheres atualmente representam 19 por cento dos cargos de direção das empresas do S&P 500.

Os ativistas estão colocando cada vez mais pessoas de confiança nos conselhos para que, a portas fechadas, exerçam pressão por vendas de ativos, cortes de custos, recompras e outras medidas para melhorar os resultados financeiros. 

Um tópico que eles não trazem à mesa é a diversidade, embora mais conselhos do que nunca queiram um misto de mulheres e homens, assim como de raças e nacionalidades.

“É para aí que o mundo vai, trata-se de ter mais entradas, não menos”, disse Beth Comstock, vice-presidente da General Electric e diretora da Nike, em entrevista. “Você quer perspectivas mais diversas para te assessorar, para ajudar a representar os acionistas”.

‘Quadro maior’

Icahn não concorda com a ideia de que não deu apoio às mulheres nos conselhos.

“Há um quadro muito maior a considerar além dos candidatos nomeados a assentos recentemente”, disse ele. “Trabalhei em muitos, muitos conselhos ao longo dos anos e em muitos casos apoiei mulheres dentro deles. Em alguns casos, lutamos duramente para mantê-las porque elas eram muito capazes”.

Elissa Doyle, porta-voz da Third Point de Loeb, que não nomeou mulheres para nenhuma das 12 diretorias que buscou, disse que a empresa influenciou a contratação de Marissa Mayer como CEO do Yahoo! em 2012.

“Nossa seleção no Yahoo rapidamente recrutou e contratou Marissa Mayer, que foi a mulher mais jovem já nomeada CEO de uma grande empresa de tecnologia”, escreveu Doyle por e-mail. 

“Como investidores engajados, estamos sempre à procura de candidatos qualificados -- independentemente do gênero -- para defender os direitos dos acionistas em cargos de direção ou executivos”.

Porta-vozes dos outros fundos, entre os quais o Pershing Square Capital Management de Bill Ackman e o Elliott Management de Paul Singer, preferiram não comentar.

Diretores ativistas

Diretores que representam fundos ativistas procuraram e em alguns casos conseguiram mudanças significativas nas empresas, incluindo a substituição de altos executivos. Icahn convenceu o conselho da Cheniere Energy, em dezembro, a demitir o fundador e CEO Charif Souki após uma divergência a respeito da estratégia da empresa.

“Os ativistas só ligam para uma coisa -- encontrar empresas subvalorizadas e colocar nelas pessoas que eles acham que podem criar o melhor valor para eles e para os acionistas”, disse Ken Squire, que administra o 13D Activist Fund, que investe em um seleto grupo de empresas atraentes com capital aberto nos EUA. “Independentemente de ser mulher ou homem, eles não nomeiam preguiçosos”.

Contar com mais mulheres nos conselhos e na direção pode aumentar a rentabilidade da empresa, segundo uma pesquisa do Instituto Peterson de Economia Internacional e da Ernst Young. 

O estudo de fevereiro com mais de 21.000 empresas de capital aberto de 91 países apontou que aquelas com pelo menos 30 por cento de diretoras e executivas mulheres podiam adicionar até 6 pontos percentuais às margens líquidas.

“Se você exclui sua base de talentos dos benefícios de contratar, empregar e tornar mulheres bem-sucedidas, você se sairá pior que as empresas que fazem um trabalho melhor nessa frente”, disse Blythe Masters, CEO da startup Digital Asset Holdings, presidente do conselho da Santander Consumer USA Holdings e ex-executiva do JPMorgan.

Tópicos: Conselhos de administração, Gestão, Mulheres