São Paulo - O impasse entorno da equiparação salarial de tripulantes da Azul e da Trip pode fazer que as duas companhias sejam mantidas, disse o fundador e presidente da Azul, David Neeleman.

Azul e Trip têm hoje pacotes de remuneração diferentes e a equiparação salarial é uma das questões ainda em aberto para que a fusão possa ser concluída, após as empresas terem recebido, na semana passada, o aval da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operar como uma única companhia aérea e usar o mesmo Certificado de Operador Aéreo (COA).

Uma assembleia do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), que representa pilotos e comissários, realizada no dia 21, recusou a proposta de equiparação feita pelas empresas.

O sindicato quer uma contraproposta por parte da aérea e sugere que a questão pode parar na Justiça do Trabalho. Em seu site, a entidade informa que está em contato com o Ministério do Trabalho e que será agendada uma reunião com os dirigentes da Azul/Trip e Ministério do Trabalho para esclarecer e solicitar um posicionamento oficial sobre o processo de fusão das empresas.

"Não vamos fazer outra proposta", disse Neeleman. De acordo com ele, a proposta já feita deve ser apresentada mais uma vez, somente à tripulação da Trip. "Não faz sentido a tripulação da Azul votar", disse o empresário.

A remuneração dos tripulantes depende de um salário base e um variável, que são diferentes nas empresas. A Azul, por exemplo, paga adicional de periculosidade e a Trip não. Uma calcula o salário variável com base em horas voadas e a outra por quilômetro. No fim das contas, os trabalhadores da Trip tinham uma remuneração maior, segundo o sindicato. A entidade defende que a fusão deve preservar o melhor salário.

Neeleman disse que a opção, caso empresa e sindicato não entrem em um acordo, é manter as duas empresas, com os tripulantes da Trip operando os ATRs e os da Azul, os jatos da Embraer. Pouco a pouco, para o plano de expansão da companhia, a empresa deve mudar as aeronaves e a Azul tende a se tornar maior e a Trip ficar menor. O executivo disse que a companhia já tem planos de migrar o tipo de aeronave que opera em alguns destinos, mas que a efetiva execução esbarra em problemas de infraestrutura desses aeroportos.

Procurado, o sindicato não atendeu à reportagem até o fechamento dessa matéria. (Colaborou Marina Gazzoni)

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