São Paulo - Com uma produção 40% abaixo da meta para 2012 e diante de um cenário de retração nas vendas de caminhões, a unidade de São Bernardo do Campo (SP) da Mercedes-Benz vai paralisar a produção na próxima segunda-feira (3).

Segundo comunicado da empresa enviado aos funcionários -- e obtido com exclusividade por EXAME --, a parada de produção da linha de caminhões é uma forma de reduzir os estoques, que, segundo executivos próximos à empresa, equivalem a três meses de produção. Os 12 000 empregados da fábrica, segundo a empresa, não têm seus empregos ameaçados e ficarão em casa enquanto a unidade estiver parada.

Segundo Fernando Fontes Garcia, vice-presidente de Recursos Humanos da Mercedes-Benz do Brasil, a parada de produção é a primeira de uma série de novas medidas que estão sendo negociadas com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. “As demissões são a última possibilidade da lista. Estamos buscando soluções mais criativas”, disse o executivo, que descartou o uso de férias coletivas neste momento para adequar a produção. “As medidas devem ser anunciadas até o final da próxima semana”.

A montadora alemã tem um excedente de 2,1 mil trabalhadores na unidade do ABC Paulista e as medidas negociadas durante o ano – como férias coletivas e suspensões temporárias de contrato de trabalho – não foram suficientes para gerenciar a crise.

Os problemas da montadora estão inseridos em um contexto do mercado de comerciais leves, em queda desde o início do ano. Segundo a empresa, as vendas cairão aproximadamente 17% na comparação com o ano passado.

Apesar das tentativas da montadora para evitar tensão dentro da fábrica, trabalhadores da empresa relatam clima de incerteza. As outras unidades da montadora em Campinas (SP) e Juiz de Fora (MG) também tem cenário similar. Na fábrica mineira o clima só não é mais alarmante porque o modelo Accelo – um caminhão de pequeno porte para tráfego em cidades produzido na unidade – é o mais vendido do Brasil.

No fim de maio, a Mercedes-Benz anunciou a suspensão temporária do contrato de trabalho de 1,5 mil funcionários como forma de evitar demissões na unidade do ABC Paulista, medida conhecida como lay-off.

Na ocasião ficou estabelecido que entre 18 de junho e 11 de novembro, os metalúrgicos recebem uma bolsa mensal do fundo de amparo ao trabalhador (FAT) de R$ 1.163 para frequentar um curso de qualificação profissional do Senai, com duração de 300 horas. O complemento dos salários dos metalúrgicos, que é em média soma R$ 2,8 mil, é pago pela montadora.

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