São Paulo - Cinco meses após assumir a presidência da Máquina de Vendas, Enéas Pestana deixa o cargo e migra para o conselho consultivo da varejista.

Ele, que comandou por 10 anos o Grupo Pão de Açúcar, tinha a missão de fazer a integração entre as cinco companhias da holding (Ricardo Eletro, Insinuante, Eletro Shopping, Salfer e City Lar) e também de profissionalizá-las após a saída dos sócios da operação.

Mas, agora, um dos principais acionistas retorna à liderança da empresa: Ricardo Nunes, da Ricardo Eletro.

Segundo Pestana, sua saída da linha de frente já era pré-acordada.

Conforme contou a EXAME.com, ele colocaria em prática as primeiras mudanças "profundas e importantes" para reestruturar a Máquina de Vendas, seguindo o plano traçado por sua consultoria meses antes, e depois passaria a batuta para um outro executivo.

Uma das medidas era a implementação de um conselho de administração organizado, com governança, sem conselheiros que participassem da gestão e que não ficasse localizado no mesmo prédio da administração.

Também fazia parte do pacote a adoção de um novo modelo de gestão  com revisão de processos e da estrutura organizacional e corte de custos  e de um novo sistema de meritocracia.

Pestana indicou ainda sete executivos com experiência consolidada em varejo para o alto escalão da companhia. Eles foram contratados e já estão atuando na gestão.

Em frente

Os sócios tinham pressa em dar continuidade ao projeto, o que acabou levando à indicação de Ricardo Nunes à presidência. Preparar um executivo vindo do mercado levaria muito tempo 

"É um cara que tem evoluído muito, participou ativamente da reestruturação através do conselho, além de conhecer bem a empresa e o segmento de varejo como ninguém neste país", referenciou Pestana.

Nunes, por sua vez, assinou um compromisso de seguir o programa à risca.

"Uma coisa é clara: estou na empresa como um executivo e não como acionista. O Enéas está me deixado o dever de casa pronto", disse por telefone a EXAME.com.

Ele atuará principalmente nas áreas comercial, de vendas, logística e operações. "É o que eu gosto e sei fazer", afirmou. 

De acordo com Nunes, as cinco varejistas que compõem a rede já estão com algumas áreas integradas, como compras e marketing. A unificação dos CNPJs deve ser concluída ainda neste ano.

A busca por um novo parceiro, especulada pelo mercado, não deve acontecer tão cedo. "O foco é a implantação do programa do Enéas. Não tem agenda para esse tipo de coisa, neste momento está descartado", disse Nunes.

A Máquina de Vendas é a terceira maior varejista de eletrodomésticos e móveis do país e tem mais de 1.000 lojas. Em 2014, últimos dados disponíveis, teve uma receita de 7,93 bilhões de reais.

Texto atualizado às 7h30 de 09/01/2015.

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