São Paulo - O Banco do Brasil e o Bradesco anunciaram hoje a formação da bandeira brasileira de cartões de crédito Elo. A intenção inicial é conquistar o público não-correntista. "A bandeira começa a atuar de baixo pra cima", afirmou Luiz Trabuco, presidente do Bradesco. "É um genérico de cartão de crédito", disse. O valor estimado da holding é de 15 bilhões de reais.

"A bandeira surge voltada para um público mais massificado, mas nada impede que ela tenha produtos diferentes para consumidores distintos", afirmou Marcelo Noronha, diretor-geral da Bradesco Cartões. "A classe C vai usar inicialmente como cartão de compra, e depois como cartão de crédito", afirmou Trabuco. Os bancos acreditam que sua presença maciça no território brasileiro vai facilitar a chegada da Elo nas classes mais baixas.

A nova bandeira pretende ter participação de 15% no mercado daqui a cinco anos, quando haverá 800 milhões de cartões no Brasil, de acordo com projeções da empresa. Atualmente o mercado é de cerca de 500 milhões. A intenção da holding é que no futuro a marca Elo extrapole o mercado brasileiro. "Nós temos inclusive ofertas para que essa bandeira seja aceita fora do país também", afirmou Noronha.

"O mercado de cartões tem necessidade de escala, juntar esses dois bancos dá grande ganho de escala", afirmou Aldemir Bendine presidente do Banco do Brasil. De acordo com Trabuco, seria impossível o Bradesco, sozinho, construir uma bandeira nacional.

A Cielo tem o maior número de estabelecimentos credenciados no país (mais de um milhão), de acordo com Bendine, e essa rede deve ser usada para a nova bandeira. Em aproximadamente seis meses os clientes poderão optar pela Elo quando forem fazer seu cartão bancário.

A holding Elo é composta pelo Bradesco (50,01%) e pelo Banco do Brasil (49,99%). A diferença nas porcentagens foi por uma questão jurídica. O presidente da holding ainda não foi escolhido. A companhia começará com capital da Visa Vale e da Cielo. Os presidentes dos bancos ainda não falam sobre a abertura de capital da empresa.

Trabuco negou que a operação seja uma tentativa do Bradesco de retomar a liderança no setor de bancos privados (perdida para a fusão entre o Itaú e o Unibanco). "A liderança para nós é um processo de conquista passo a passo", afirmou.

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