São Paulo - Depois de conquistar a liderança mundial em comercialização de etanol com a compra da americana EcoEnergy, no ano passado, a brasileira Copersucar anunciou este mês que também chegou ao topo do ranking de açúcar, superando a americana Cargill.

A liderança, por si só, não é motivo para grandes comemorações, pois o setor sucroalcooleiro vive um de seus piores momentos em termos de rentabilidade.

No entanto, segundo especialistas em agronegócio, o porte conquistado pode ser usado para aproveitar melhor as oportunidades que podem surgir num horizonte de médio prazo.

"O 'timing' da liderança da Copersucar não parece bom, pois vivemos o auge da superoferta de açúcar e etanol", diz o sócio da consultoria MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros.

No entanto, ele diz que a dificuldade de investimento no setor deverá trazer um período de recuperação de margens em dois ou três anos.

Isso ocorrerá porque a expectativa é que a oferta fique estacionada, ao passo que a demanda por açúcar crescerá ano a ano e o governo deve ceder à pressão para definir algum incentivo ao consumo interno de etanol.

Neste cenário, a estratégia da Copersucar de decidir pela expansão agora, e não quando as coisas melhorarem, pode se mostrar acertada, já que os ativos do setor tendem a ficar mais caros em períodos de bonança.

A expansão da empresa, aliás, ocorreu depois da euforia do etanol. A decisão de pôr o pé no acelerador veio após a mudança da estrutura do negócio, que deixou de ser uma cooperativa "pura" para virar uma sociedade anônima em 2008 - justamente o ano em que eclodiu a crise financeira internacional. Hoje, 47 usinas são acionistas da Copersucar.

A capacidade de moagem de cana da companhia, que era de 65 milhões de toneladas na safra 2007/2008, deve chegar a 130 milhões de toneladas na safra 2013/2014.

No mesmo período, o faturamento vai quase quadruplicar, passando de R$ 4 bilhões para R$ 15 bilhões - sem contar a receita da EcoEnergy, que eleva a cifra para R$ 22 bilhões.

Toda essa expansão, segundo o presidente do conselho da Copersucar, Luís Roberto Pogetti, é baseada na crença de que o setor sucroalcooleiro - e especialmente o projeto de etanol - é viável no longo prazo.

"Acho que o setor viveu um período de 'dores de crescimento'. Mas a demanda potencial para o etanol no Brasil é enorme, pois é uma alternativa viável ao petróleo", afirma.

Tópicos: Açúcar, Commodities, Empresas, Copersucar, Empresas brasileiras, Comércio, Energia, Etanol, Biocombustíveis, Combustíveis