São Paulo – Há um consenso entre acionistas, executivos e conselheiros da Usiminas sobre a necessidade de uma injeção de capital. O que falta é saber de quanto e de que maneira ela será feita.

Ao menos foi isso o que o presidente da siderúrgica, Rômel Erwin de Souza, quis deixar bem claro em teleconferência com analistas hoje.

Segundo ele, uma reunião do conselho de administração da empresa será marcada na primeira quinzena de março para definir essas questões.

Todas as alternativas de aportes serão analisadas pelo conselho, esclareceu Rômel, que lembrou da necessidade de uma solução em um curto espaço de tempo.

“O que foi solicitado pelo conselho à diretoria é que se pensasse nas alternativas, seja por aumento de capital, empréstimos dos controladores ou operações entre companhias do grupo”, disse ele.

Enquanto isso, alternativas para fazer com que o negócio se mantenha rentável em um cenário mais desafiador também estão sendo pensadas.

Renegociação de vencimentos de dívidas com credores, corte de custos e adequação de algumas áreas de negócios fazem parte do pacote.

“Peço que não levem em conta apenas os números finais, mas os esforços da empresa para a reversão dos resultados e o peso dos efeitos extraordinários sobre o todo”, afirmou Souza.

Efeitos extraordinários

Em 2015, o ebtida ajustado da empresa foi de R$ 291,5 milhões, contra R$ 1,9 bilhão em 2014, “principalmente em função do menor volume de vendas e preço de aço e de minério de ferro”.

Se excluído os valores referentes à reestruturação, venda de ativos e de sobras de energia elétrica, o valor atingiria R$ 539,6 milhões, de acordo com o balanço divulgado.

Dentro dos R$ 256,8 milhões que equivalem às mudanças, está a renegociação do contrato de frete doméstico com a MRS, de R$ 163 milhões.

Com a queda da demanda, a Usiminas achou mais vantajoso cancelar o acordo e ressarcir a parceira com parcelas mensais de R$ 31,5 milhões, pagas a partir de janeiro de 2017.

Além desse, ainda há os efeitos trazidos com a suspensão temporária da área primária da planta de Cubatão –apenas com demissões, a provisão é de R$ 93,8 milhões.

A intenção não é reduzir custos, apesar de ser consequência, mas ajustar a produção à real demanda do mercado hoje.

A parte de laminação da fábrica não será mais feita pela Usiminas, mas por terceiros, um processo que está sendo testado desde dezembro e que já têm itens homologados.

“Isso nos dará uma flexibilidade maior para vender apenas o que nos interessa e com garantia de resultados”, disse Souza. “Com a decisão, esperamos um ebitda positivo a partir de 2016”.

Além da Usiminas Mecânica, que deve acontecer no segundo semestre deste ano, outras vendas de ativos não devem acontecer.

Prioridade interna

Para 2016, a expectativa é que a exportação de aço em volume caia consideravelmente comparado ao no ano passado.

“Mas devemos manter nossas vendas no mercado interno estáveis em 2016 em relação a 2015”, disseram os executivos da companhia.

A previsão é que as exportações também sejam menores, como acontece desde o ano passado. 

“Acompanhamos diariamente as variáveis de competitividade, câmbio, frete marítimo e custos portuários, e já é possível aproveitar a melhora de alguns indicadores”, disse Rômel.

No mercado interno, a projeção é de uma queda de 5% na demanda de ações, um cenário preocupante para o Brasil, especialmente com base no desempenho no setor automotivo.

“No ano, a expectativa é vender US$ 2,5 milhões, sendo 80% disso destinado ao mercado interno e o restante para exportação, predominante para a Ásia”.

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