São Paulo – Nesta semana, o Magazine Luiza anunciou a mudança do comando da companhia. Frederico Trajano assumiu o posto no lugar de Marcelo Silva, promovido a vice-presidência do conselho no lugar de Luiza Helena Trajano, que agora é a presidente.

A mudança já era considerada natural pelo mercado e a transição vinha acontecendo, com ajuda de consultorias e muitas conversas, há dois anos.

E é só a primeira de uma série que está por vir.

Fred tem agora, segundo ele mesmo, a missão de transformar a varejista com vendas online em uma empresa digital, com lojas físicas e “calor humano”.

“Comecei na área digital, que hoje representa 24% do faturamento”, disse ele em entrevista a EXAME.com. “Nosso plano é torná-la mais digital, sem deixar de atender bem os clientes”.

Para tanto, a companhia desenhou um plano baseado em cinco pilares, todos sendo colocados em prática aos poucos a partir deste ano.

O primeiro deles, e mais impactante, começa em dezembro com a venda de perfumes e cosméticos no site do Magazine.

“Vamos ampliar os tipos de produtos vendidos e ter uma plataforma com espaço para que outros varejistas também vendam, como faz o eBay e MercadoLivre”, explica o executivo.

Dentro da empresa, uma área de homologação cuidará dos vendedores parceiros que venderão por meio do site. Inicialmente, “sellers” de novas categorias serão prioridade.

“Mas também queremos trabalhar com fornecedores que completem as linhas que já vendemos hoje”, diz Fred.

Tudo digital

Do que adianta se tornar uma varejista online, se os clientes não sabem por que comprar e como usar direito os eletrônicos que compram, certo?

O Magazine diz já ter pensado nisso. Tanto que uma das premissas da estratégia também é a digitalização dos consumidores, por meio de cursos e vídeos interativos.

Os materiais, muitos já disponíveis no Youtube e site, servem tanto para quem pensa em comprar como para os que já estão com seus produtos em casa.

Da mesma maneira, será preciso treinar os funcionários para vender nas lojas físicas de uma maneira mais digital.

Além de conhecimento técnico dos produtos, todo o atendimento será por smartphone nas lojas, iniciativa que também começa em 2016.

Os vendedores estão sendo treinados também para divulgar itens em mídias sociais e se relacionar com clientes por ali.

Mudança leve

A parte de logística também foi alterada para atender as novas demandas, que devem ser maiores no site e vão permitir que clientes comprem online e apanhem os itens em uma loja.

Para tanto, os estoques das lojas foram integrados aos oito centros de distribuição da companhia pelo país.

Assim, será mais fácil – e barato – entender quantos itens de determinada marca precisam ser repostos e para quais lojas, por exemplo.

Por fim, a companhia quer implantar uma cultura de empreendedorismo digital, para incentivar novas ideias de negócios trazidas por pessoas de dentro e fora da empresa.

“É toda uma nova cultura de ser e atender que estamos adotando e queremos que todos estejam alinhados nisso”, afirma o novo CEO.

De acordo com Fred Trajano, todas essas mudanças para a companhia são leves, porque não há ativos, apenas ajustes e investimentos em pessoas e sistemas.

Para 2016, a expectativa é de um ano tão difícil quanto foi 2015.

Não é a mamãe

Os funcionários que ocupam cargos de liderança entre os 20.000 da empresa foram os primeiros a saber das mudanças de cúpula em um evento em São Paulo, no início da semana.

Embora esperado, o anúncio pode trazer comparações entre a maneira de gerir a empresa de Fred e sua mãe, Luiza Helena, com quem trabalha diretamente há 15 anos.

“Ela, minha tia (fundadora do Magazine, Luiza Trajano Donato) e Marcelo são meus mentores”, afirma o novo CEO. “Como aprendi muito com os três essa comparação não é um peso para mim, mas sim um privilégio”.

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