Houston/Rio de Janeiro/Nova York - O colapso nos negócios do empreendedor brasileiro Eike Batista está refletindo-se nos balanços dos fornecedores globais da sua petroleira.

A OGX Petróleo Gás Participações SA, controlada pelo ex-bilionário, declarou ontem em um comunicado que deixou de pagar a todos os fornecedores do seu campo mais prometedor exceto aqueles “cruciais”. A Diamond Offshore Drilling Inc., a Ensco Plc e a Schlumberger Ltd. estão entre os que estão pagando as consequências.

A companhia, sediada no Rio de Janeiro, estima que ficará sem dinheiro no final de dezembro após não atingir metas de produção nos seus depósitos em águas profundas, o que fez com que seu valor de mercado despencasse 95 por cento. A OGX está reduzindo seu pessoal, vendendo ativos e acumulando dívidas com fornecedores enquanto se foca em reviver um acordo com a Petroliam Nasional Bhd. para o campo de Martelo, sua última esperança de começar a ganhar dinheiro.

“Os pagamentos estão sendo realizados somente aos vendedores cruciais que atualmente realizam serviços no campo de Martelo para começar a produzir petróleo em primeiro lugar”, afirmou a OGX em documento de 7 de outubro, publicado ontem em seu site.

A Diamond Offshore, subsidiária da Loews Corp., anunciou em 24 de outubro que tinha cancelado US$ 58 milhões em pagamentos não realizados no segundo e no terceiro trimestre ligados aos contratos com a OGX. A Loews é liderada pelo presidente James Tisch.

A Ensco, a empreiteira de perfuração em águas profundas que está construindo seis plataformas do ramo, anunciou na semana passada que uma perda de US$ 27 milhões causada por um par de navios contratados pela OGX diminuiu seus lucros trimestrais em 12 centavos por ação.

‘Não comerciais’

Uma das plataformas de perfuração da Diamond que estava sendo usada por Batista foi transferida para outro operador brasileiro e outra será destinada a operações na região Ásia-Pacífico, informou o presidente da Diamond, Lawrence Dickinson, em uma teleconferência realizada em 24 de outubro.

“Embora antes fosse uma companhia muito forte, os projetos que acabaram sendo considerados não comerciais deixaram a OGX sem o dinheiro necessário para cumprir suas obrigações”, disse Dickinson.

A Schlumberger, a maior empreiteira de serviços para campos petrolíferos do mundo, falou, pela primeira vez, publicamente sobre seu trabalho para a OGX em julho de 2009, quando foi contratada para serviços em quatro torres de perfuração em águas profundas. O contrato de dois anos com possibilidade de extensão abrangia 11 blocos nas bacias de Santos e de Campos.

Negociações de reestruturação

Em conjunto, os fornecedores reclamam US$ 546 milhões, declarou a OGX na apresentação realizada em setembro e também publicada ontem em seu site. A companhia divulgou as apresentações como parte de um acordo com seus investidores em bônus depois que as negociações de reestruturação terminaram, sem se chegar a um acordo.

A impossibilidade da OGX de fechar um acordo de reestruturação após meses de negociações com seus investidores em bônus abre as portas para que a companhia solicite proteção contra insolvência, o que deixaria US$ 3,6 bilhões de títulos denominados em dólares em default.

Neste mês, duas fontes do setor afirmaram que a OGX estava considerando solicitar proteção contra insolvência no final de outubro ou no começo de novembro. Uma vez aceita a solicitude por um juiz, a companhia teria 60 dias para apresentar um plano de reestruturação.

O caixa da companhia caiu para cerca de US$ 82 milhões no final de setembro, conforme um segundo documento datado de 7 de outubro e postado ontem no site da companhia. A OGX possui um valor empresarial de US$ 2,72 bilhões segundo um modelo operativo de “caso básico”, afirmou a companhia. Isso é mais de sete vezes o valor de mercado da OGX.

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