São Paulo - Ser jovem e inovador é quase uma premissa para empreender e conseguir manter um negócio de sucesso, certo? Daniel Isenberg, autor do livro “Worthless, Impossible and Stupid: how contrarian entrepreneurs create and capture extraordinary value", (em português algo como “Inútil, impossível e estúpido: como empreendedores "do contra" geram e capturam extraordinário valor”) acha que não. 

Segundo ele, às vezes a chave do negócio pode ser exatamente o contrário: apostar na experiência e acreditar no que todo mundo duvida que irá dar certo. 

O livro, lançado no mês passado nos Estados Unidos e ainda sem data para lançamento no Brasil, reúne histórias coletadas por Isenberg durante os 11 anos em que foi professor de empreendedorismo na Universidade de Harvard. Um dos esforços do autor é de se afastar do badalado modelo “Vale do Silício”, berço de empresas como Google, Microsoft e Facebook, para relatar exemplos de outras partes do mundo e mostrar que é possível ter sucesso com outros métodos.

Atualmente, Isenberg é empresário, investidor, consultor e dá aulas práticas de gestão na universidade Babson Global. Recentemente, ele aconselhou a Casa Branca no projeto "Startup America". 

No livro, Isenberg defende que verdadeiros empreendedores têm uma mente "do contra", se movem na direção oposta à maioria e "veem um copo metade cheio onde todos veem um copo metade vazio".

Persistência

Ele diz ainda que é extremamente importante ter esse tipo de pensamento porque é praticamente impossível gerar valores extraordinários sem ir contra o mercado; sem comprar ações em baixa, consideradas como "lixo" e transformá-las em valiosas; e sem fazer coisas que as pessoas dizem ser "inúteis, impossíveis e estúpidas e torná-las em úteis, possíveis e inteligentes". 

"Worthless, impossible and stupid" também contraria a ideia geral de que um empreendedor precisa ser jovem e inovador, ao afirmar que ter uma certa idade ajuda a ter esperteza e a conhecer melhor o mercado e a tecnologia, por exemplo. Por outro lado, na obra Isenberg diz que estar de fora também pode ser uma vantagem para os empreendedores, já que muitos deles começam um negócio sobre o qual não sabem nada e alcançam o sucesso.

Na obra, Isenberg deixa claro que não quer converncer o leitor a ser um empreendedor (o que ele diz que seria um fracasso), mas sim mostrar a ele que essa possibilidade existe. 

A publicação reúne casos de empreendedores "do contra" como Robert Wessman, ex-presidente da Actavis, uma empresa farmacêutica da Islândia que hoje é a quarta maior fabricante de medicamentos genéricos do mundo;  e como Gabi Meron, fundador e ex-presidente da Given Imaging, uma empresa indiana que produz uma pequnena câmera inclusa em uma cápsula. A pílula tira fotos enquanto passa pelo intestino delgado do paciente, um procedimento que é mais barato e menos perigoso do que a endoscopia. 

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