A BHP Billiton, maior mineradora do mundo, reduziu sua previsão anual para minério de ferro depois que sua joint venture no Brasil foi paralisada após a ruptura de uma barragem em novembro que matou pelo menos 17 pessoas. As ações caíram para o patamar mais baixo em 11 anos em Sidney.

A produção deve ser de 237 milhões de toneladas nos 12 meses até 30 de junho, em comparação com a estimativa de julho de 247 milhões de toneladas, disse a BHP, com sede em Melbourne, em um comunicado na quarta-feira. A Samarco, joint venture com a Vale, está paralisada desde a ruptura da barragem no que o governo brasileiro descreveu como o pior desastre ambiental do país. A Vale cortou seu guidance para produção anual em até 10 por cento.

“Provavelmente, a produção de minério de ferro estava um pouco abaixo das expectativas”, afirmou Ric Spooner, analista- chefe da CMC Markets, em Sidney, em entrevista por telefone. “Não há surpresas positivas nisso e, em um ambiente em que os mercados estão pessimistas com o setor, a falta de surpresas positivas poderia criar um pouco de decepção nos preços”.

A BHP caiu 3,5 por cento, para 14,21 dólares australianos em Sidney, o menor valor desde janeiro de 2005. A mineradora caiu 45 por cento nos últimos 12 meses.

O desastre no Brasil e a queda dos preços das commodities, do minério de ferro ao petróleo, contribuíram para o declínio das ações da BHP. A baixa contábil após impostos de US$ 4,9 bilhões sobre o valor de seus ativos de óleo de xisto e de gás nos EUA sinalizada na última sexta-feira, e os encargos adicionais de até US$ 450 milhões anunciados hoje aumentaram as preocupações sobre a capacidade da BHP de conservar uma política de dividendos que procura manter ou aumentar o retorno a cada ano.

Excesso de oferta

O preço de referência do minério de ferro, a commodity mais rentável da BHP, despencou mais de três quartos desde seu pico de 2011, e o petróleo despencou neste mês para menos de US$ 30 por barril pela primeira vez em 12 anos. O índice Bloomberg World Mining de 80 ações, incluindo BHP e Rio Tinto, perdeu mais de 40 por cento nos últimos 12 meses devido aos temores com o ritmo mais fraco de crescimento na China, o maior consumidor de commodities, e com o excesso de oferta em energia e metais.

A produção de minério de ferro nos três meses encerrados em 31 de dezembro cresceu 1 por cento, para 57 milhões de toneladas, disse a BHP, abaixo da estimativa mediana de 59,3 milhões de toneladas feita por sete analistas consultados pela Bloomberg. A Rio Tinto, a segunda maior mineradora, disse na terça-feira que sua produção de minério de ferro cresceu 10 por cento no último trimestre de 2015.

“Os preços das commodities caíram substancialmente no primeiro semestre do ano fiscal de 2016 e pressionaram todo o setor de recursos”, disse o CEO Andrew Mackenzie no comunicado. A BHP está “empenhada em proteger nosso balanço forte, por isso temos a flexibilidade financeira para administrar mais volatilidade”, disse ele.

Queda do cobre

A BHP vai cortar seu pagamento de dividendos pela metade, para 31 centavos de dólar, nos seis meses até 31 de dezembro, de acordo com a Bloomberg Dividend Forecasts. Os investidores também estão antecipando novas reduções para gastos de capital, disse Spooner, da CMC.

A BHP prevê que sua participação na produção anual de minério de ferro vai subir cerca de 1,7 por cento no ano até 30 de junho, em comparação com os 12 meses anteriores. O minério de ferro é a única divisão com previsão de aumento de volume neste ano fiscal, com o guidance da BHP prevendo quedas de produção anual de carvão, cobre e petróleo.

A produção de cobre caiu 9 por cento no trimestre, para 385.000 toneladas, acima da mediana das estimativas de cinco analistas, de 377.000 toneladas. A produção está sendo limitada por notas em declínio da mina chilena de Escondida, a maior mina de cobre do mundo, disse a BHP.

Tópicos: Mineração, Siderurgia e metalurgia, BHP Billiton, Empresas, Mariana (MG), Samarco, Vale, Siderúrgicas, Empresas brasileiras, Empresas abertas