São Paulo - Com um lucro líquido de 2,37 bilhões de reais no quarto trimestre, a CSN reverteu um prejuízo de 533 milhões de reais no trimestre anterior. O resultado bilionário, porém, não indica uma melhora na situação operacional da empresa, afirmam analistas ouvidos por EXAME.com.

O que impulsionou o resultado da siderúrgica foi a combinação dos negócios de mineração da CSN e de um consórcio asiático, formado pelas empresas Itochu Corporation, a JFE Steel Corporation, a Posco, a Kobe Steel, a Nisshin Steel e a China Steel Corp.

A aliança, concluída em novembro de 2015, criou uma nova empresa, chamada Congonhas Minérios. Ela reunirá a mineradora Namisa, a mina Casa de Pedra e a área de logística MRS. A CSN será a controladora com 87,52% de participação, enquanto o consórcio tem 12,48%.

Além da transferência de dívidas da CSN para a nova empresa, também foi realizado um procedimento contábil, que gerou um resultado de 2,9 bilhões de reais para a CSN e garantiu o lucro no trimestre.

Segundo o analista Bruno Piagentini, da Coin Valores, a história começou quando o consórcio entrou como sócio na Namisa, em 2008. O contrato firmado na época tinha certas exigências de investimento e de crescimento.

Se essas metas não fossem cumpridas, o consórcio asiático sairia da empresa e obrigaria a CSN a comprar sua fatia de 40% por 3 bilhões de dólares. Com o novo acordo, a empresa brasileira não corre esse risco.

Em relatório, o analista Victor Penna, do BB Investimentos, afirmou que a medida foi positiva para os resultados financeiros da empresa. “A CSN está mostrando melhorar após a conclusão da rolagem de dívida e a união de ativos na Congonhas Minérios”, disse ele.

Sem perspectiva de melhoras

No entanto, o lucro da empresa de siderurgia vem unicamente de fatores não recorrentes. Ou seja, não significa que ela está em uma situação melhor.

As vendas de aço da companhia caíram 4% em 2015 em comparação ao ano anterior, principalmente por conta da piora no mercado interno. Já as vendas de minério de ferro caíram 11%.

A receita líquida diminuiu 5% no ano e o Ebitda ajustado despencou 31%. Ao mesmo tempo, a dívida líquida chegou a 26,5 bilhões de reais no ano, aumento de 40%. A relação entre o endividamento e as receitas chegou a 8,2, número bastante preocupante, segundo analistas.

No ano passado, ela desligou temporariamente um de seus fornos e planeja demitir centenas de funcionários. Além disso, as agências de risco S&P e Fitch rebaixaram o rating da companhia.

"O contexto é muito ruim, como também tem sido o caso da Usiminas e Gerdau", diz Piagentini. Enquanto a Usiminas teve prejuízo de 1,6 bilhão de reais no quarto trimestre, a Gerdau divulgou resultado negativo em 3,17 bilhões de reais.

Segundo o analista da Coin Valores, a demanda por aço e minérios tem caído constantemente. Os setores que mais demandam a matéria prima, como a construção civil, indústria automobilística, de petróleo e de eletrodomésticos, são os que mais sofrem com a crise econômica no Brasil. O excesso de aço no mercado internacional e a queda do preço no minério de ferro também abalaram a empresa.

Segundo Penna, do BB Investimentos, a gestão continua se esforçando para melhorar o balanço, mas a venda de ativos para desalavancar a companhia tem demorado mais que o esperado. “Não erramos ao afirmar que a perspectiva para o negócio de aço continua sobre pressão, sem nenhum sinal de recuperação”, diz análise.

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