Cidade do México - A América Móvil, empresa de telefonia controlada pelo bilionário mexicano Carlos Slim, disse que não dará andamento ao plano de aumentar sua fatia na KPN, depois que a fundação da companhia de telecomunicação holandesa bloqueou sua oferta.

O anúncio feito nesta quarta-feira foi um balde de água fria nos planos de uma das maiores empresas da América Latina, que fez sua primeira incursão fora da região com a aquisição de fatias da KPN e da Telekom Austria no ano passado.

A América Móvil acumulou aproximadamente 30 por cento das ações da KPN e ainda não está claro o que vai ocorrer com essa participação. A empresa recusou-se a comentar, e a fundação da KPN não estava disponível para comentar o assunto.

Investidores aparentemente receberam bem a decisão, já que evita um gasto de ao menos 7,2 bilhões de euros (9,52 bilhões de dólares), e as ações da América Móvil subiram mais de 6 por cento imediatamente após o anúncio, antes de fecharem em alta de 3,46 por cento.

A América Móvil, que nunca havia feito uma oferta hostil anteriormente, foi surpreendida pela decisão da fundação da KPN em agosto. O genro de Slim e principal porta-voz da empresa mexicana, Arturo Elias, disse na ocasião que a companhia holandesa tinha mostrado "total falta de respeito".

A empresa mexicana, em um longo comunicado publicado em setembro, disse que estava negociando com a administração da KPN e defendeu sua oferta, dizendo que planejava investir pesadamente na KPN se tomasse seu controle.

"O exercício da opção de compra pela fundação obstrui a conclusão (do acordo), já que ocorre em detrimento dos acionistas da KPN que querem participar do acordo", disse a América Móvil em comunicado nesta quarta-feira.

"Acredito que eles perderam a paciência", disse Andres Audiffred, analista da Ve Por Mas, sobre a América Móvil.

As ações da América Móvil têm estado sob pressão este ano, com os investidores questionando o valor da incursão de Slim na Europa, que marca um importante passo para a companhia familiar latino-Américana.

Este ano, os papéis da empresa caíram 7 por cento, apesar de uma série de ofertas de compra promovidas pela companhia.

Antes do bloqueio da oferta pela fundação, a América Móvil disse que planejava proceder com sua oferta em setembro. A América Móvil disse que poderia ajudar a empresa holandesa com importantes investimentos em infraestrutura.

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