O fim da pior seca em oito décadas no Brasil deve se traduzir em contas de luz mais baixas para as residências. Mas também pode significar um problema para a Eletropaulo Metropolitana, maior empresa de energia de São Paulo.

No mês passado, o governo disse que removeria a sobretaxa pelo uso das térmicas, imposta quando as usinas hidrelétricas não eram capazes de abastecer plenamente o País com água. A medida vai reduzir o custo da energia para a população em até 6,5 por cento, segundo um relatório da Exame.

Isso é um problema porque a Eletropaulo tem dificuldades para suportar qualquer impacto em sua receita. A empresa está perigosamente perto de violar cláusulas de sua emissão de debêntures e a pior recessão do Brasil em um século está reduzindo a demanda por eletricidade.

A empresa, que é uma unidade da AES Corp., disse em 24 de fevereiro que a relação dívida líquida/Ebitda subiu para 3,47 vezes no fim de 2015.

As cláusulas da emissão de R$ 2,872 bilhões (US$ 791,99 milhões) em bonds exigem que a relação de alavancagem da Eletropaulo não seja superior a 3,5 vezes durante dois trimestres seguidos.

Em 25 de fevereiro, a Moody’s Investors Service reduziu a classificação da Eletropaulo para junk em meio a uma onda de rebaixamentos corporativos que acompanharam a redução da classificação soberana do País e manteve uma perspectiva negativa para a nota.

“É uma situação muito séria”, disse Adeodato Volpi Netto, chefe de mercado de capitais da Eleven Financial Research, de São Paulo. “Claro que a companhia pode pedir um waiver, mas, para isso, precisa mostrar aos credores um bom plano para melhorar a situação financeira. E isso não é óbvio, já que a atividade econômica brasileira também está em queda”.

Em comunicado enviado por e-mail, a Eletropaulo disse não estar negociando atualmente com os credores.

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