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Perfumarias | 23/08/2013 07:43

Água de Cheiro tenta sair da crise. De novo

Como estratégia, a rede de perfumaria trocou de comando e iniciou a distribuição de produtos importados nas lojas

Fernando Scheller, do

Divulgação

Franquia da Água de Cheiro

Franquia da Água de Cheiro: segundo franqueados, a falta de produtos se arrasta por meses, prejudicando as vendas nos Dias das Mães, dos Namorados e dos Pais

São Paulo - A rede de perfumaria Água de Cheiro trocou de comando - o americano Paul Block, ex-executivo da Revlon, é agora sócio e presidente da marca - e iniciou a distribuição de produtos importados nas lojas, dentro de uma estratégia de mesclar a linha própria da marca com produtos mais caros.

Porém, entre os franqueados o clima é de desconfiança, pois problemas básicos, como a falta de produtos, persistem. As lojas passaram o Dia dos Pais sem a maior parte da linha masculina.

A Água de Cheiro vive a segunda crise em menos de cinco anos. A rede mineira chegou a disputar a liderança do segmento com O Boticário nos anos 80. Ao longo do tempo, a empresa foi perdendo força: endividada, a companhia tinha só 260 lojas em 2009, quando foi comprada por Henrique Alves Pinto, que saiu da presidência da empresa para dar lugar a Paul Block, mas segue no quadro de sócios. Durante a gestão de Alves Pinto, conhecido por ter fundado a construtora Tenda aos 20 anos, a rede cresceu rapidamente e chegou a 850 unidades.

No entanto, as vendas não corresponderam às expectativas. O principal fornecedor industrial da Água de Cheiro - a catarinense Age, que também fornece para marcas como Avon e O Boticário - anunciou publicamente, em 2012, que a empresa não estava honrando pagamentos. O rompimento do contrato levou à falta crônica dos produtos mais vendidos pelos franqueados nas lojas.

O novo presidente da Água de Cheiro respondeu algumas perguntas do jornal O Estado de S. Paulo por e-mail e admitiu que as deficiências na distribuição ainda não estão totalmente solucionadas. A falta de produtos nas lojas, segundo franqueados, já se arrasta por meses - o problema também prejudicou as vendas no Dia das Mães e no Dia dos Namorados. “Recebemos um catálogo para os pedidos de Natal e esperamos que a situação se normalize até lá”, diz uma franqueada do Oeste de Santa Catarina. “Até agora, ainda não vimos nenhuma melhoria concreta.”

Últimas tentativas

O desafio da nova gestão é evitar uma fuga em massa dos franqueados, que trabalham no prejuízo há um bom tempo. Quem ainda não desistiu do negócio está perto de tomar uma decisão definitiva: “Vou até o Natal, para ver se melhora”, diz a franqueada catarinense. “Apliquei o valor de uma herança nessas duas lojas, uma das quais já fechei. Hoje tenho o dobro do valor investido - em dívidas no banco.”

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