Rob Britton, que passou duas décadas na American Airlines, não tem problemas em defender os lucros que seu antigo empregador e outras companhias aéreas americanas estão tendo.

Sim, o combustível está barato, mas qual empresa corta os preços quando seus custos diminuem?

“A Amtrak não diminui seus preços porque o diesel está mais barato, e os táxis de Nova York não baixam os preços porque um tanque de gasolina ficou mais barato”, disse Britton, que agora é consultor de aviação em Washington.

Os consumidores se beneficiaram um pouco da redução do preço do combustível nos últimos 12 anos, mas não tanto quanto as empresas.

Embora os passageiros estejam pagando menos, em média, por viagem, as tarifas básicas - os preços atribuídos a cada assento – permaneceram essencialmente inalteradas desde 2014, de acordo com Rick Seaney, CEO da empresa de pesquisa de passagens FareCompare.com.

No entanto, os preços à vista do combustível de avião no porto de Nova York caíram 70 por cento desde o início de 2014 e chegaram a 81 centavos por galão no dia 20 de janeiro, o valor mais baixo desde dezembro de 2003, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

Uma razão pela qual as tarifas básicas não caíram mais: o colapso dos preços do petróleo não provocou uma desaceleração econômica significativa, que normalmente anularia a demanda. As companhias aéreas também estão aproveitando os custos menores para pagar dividendos, recomprar ações, reduzir ou refinanciar a dívida e aumentar a capacidade.

Bons anos

O setor registou perdas combinadas de US$ 58 bilhões nos nove anos que terminaram em 2009, por isso “vamos fazer o máximo para ganhar dinheiro nestes anos bons, porque ninguém sabe o que vai acontecer”, disse Britton, que foi diretor administrativo e assessor do presidente da American.

Delta Air Lines, United Continental Holdings e Southwest Airlines tiveram recordes de lucros ajustados em 2015 e pagaram, juntas, US$ 7,6 bilhões a menos em combustível – que historicamente é responsável por cerca de um terço dos custos operacionais do setor. As empresas disseram que teriam economizado mais se não fosse por contratos que estipularam alguns preços com antecedência a taxas acima do mercado.

A American, maior companhia aérea do mundo, vai divulgar seus resultados anuais no dia 29 de janeiro.

Passagens com mais desconto

As passagens para viagens de lazer que tiveram o maior desconto ficaram 27 por cento mais baratas até o dia 28 de dezembro em comparação com o ano anterior, de acordo com Bruce Harrell, fundador da Harrell Associates, que acompanha preços de trecho único em 300 rotas. As passagens reembolsáveis para viagens de negócios aumentaram 3 por cento.

Os consumidores viram US$ 6,3 bilhões em tarifas mais baixas em 2015 e poderiam economizar mais US$ 6,1 bilhões neste ano, disse Hunter Keay, analista da Wolfe Research em Nova York.

Os preços devem cair de 5 por cento a 9 por cento nos próximos quatro meses antes de se estabilizarem, acrescentou ele.

Os preços mais baixos podem ser compensados porque as empresas continuam adicionando cobranças separadas para itens como bagagem despachada, alimentos e upgrade de assentos, de acordo com um relatório recente da Global Business Travel Association em Alexandria, Virgínia.

Estas taxas acessórias, que se aplicam a todos os passageiros que escolhem serviços ou produtos acima da tarifa básica, podem ter chegado a US$ 7 bilhões em 2015, em contraste com US$ 6,5 bilhões em 2014, diz Michael McCormick, diretor-executivo da associação.

A tarifa doméstica média deve cair menos de 1 por cento em 2016, depois de ter declinado 5,6 por cento em 2015 em comparação com o ano anterior, com base no relatório da associação de viagens de negócio.

As viagens econômicas na América do Norte devem diminuir em média cerca de 5 por cento neste ano, um declínio semelhante ao registrado durante os primeiros 10 meses de 2015, de acordo com uma análise dos dados da Airline Reporting feita pela Expedia.

Um aumento dos preços do petróleo e custos trabalhistas mais elevados poderiam ser as maiores ameaças às tarifas mais baixas.

Os pilotos da United aprovaram no dia 22 de janeiro uma extensão de contrato de dois anos com aumentos de 13 por cento, 3 por cento e 2 por cento durante três anos. A Delta e seus pilotos estão negociando um novo acordo.

A Southwest está em negociação com os sindicatos de comissários de bordo e mecânicos, e se prepara para uma nova rodada de discussões com os pilotos.

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