As 400 pessoas mais ricas do mundo perderam US$ 19 bilhões em 2015, segundo o índice Bloomberg Billionaires. A queda dos preços das commodities e os sinais de um crescimento mais lento na China assustaram investidores de todo o mundo, levando ao primeiro declínio anual do índice diário de riqueza desde sua estreia em 2012.

“Depois de três anos excelentes, os mercados de ações ficaram de lado em 2015”, disse o bilionário Ken Fisher, fundador da Fisher Investments, que gerencia mais de US$ 65 bilhões.

“O excesso de oferta de petróleo, a queda do consumo e o medo de que a China se quebre como um prato e que leve com ela as commodities assustaram os investidores”.

O magnata mexicano das telecomunicações, Carlos Slim, foi quem mais caiu no índice no fechamento do pregão em Nova York, no dia 28 de dezembro, com a América Móvil perdendo 25 por cento em 2015.

A pessoa mais rica do mundo em maio de 2013, Slim caiu para o quinto lugar neste ano, depois de ter perdido quase US$ 20 bilhões porque os reguladores aumentaram os esforços para dividir sua empresa, que controla a maioria dos telefones fixos e celulares no México.

Gates e Buffett

O investidor norte-americano Warren Buffett, a terceira pessoa mais rica do mundo, perdeu US$ 11,3 bilhões. A Berkshire Hathaway teve seu primeiro retorno anual negativo desde 2011.

O cofundador da Microsoft, Bill Gates, a pessoa mais rica do mundo desde maio de 2013, perdeu US$ 3 bilhões no ano.

As perdas de Gates e a ascensão contínua da Inditex, maior varejista de moda do mundo, deixaram o espanhol Amancio Ortega a US$ 10 bilhões do primeiro lugar.

Ortega, a pessoa mais rica da Europa desde junho de 2012, ultrapassou Slim e Buffett ao crescer US$ 12,1 bilhões para US$ 73,2 bilhões.

O crescimento de 20 por cento de Ortega ficou a US$ 19 bilhões do avanço do maior ganhador do ano, Jeff Bezos, fundador da Amazon.com.

O bilionário nascido no Novo México mais que dobrou sua fortuna para US$ 59 bilhões e os investidores comemoram os lucros da maior loja virtual do mundo. Bezos acrescentou US$ 31 bilhões em 2015, deixando para trás a queda de US$ 7,4 bilhões sofrida em 2014, e subiu 16 posições até o quarto lugar no índice.

Oscilações bruscas

As 400 pessoas mais ricas do mundo controlam um total combinado de US$ 3,9 trilhões, de acordo com o índice, mais do que o PIB de todos os países da Terra, exceto os EUA, a China e o Japão.

No seu auge, em 18 de maio, os bilionários tinham quase US$ 4,3 trilhões, um aumento de US$ 267 bilhões desde 1º de janeiro. Em agosto, eles perderam esses ganhos e mais quando a venda de ativos em todo o mundo eliminou até US$ 182 bilhões em uma semana.

Bezos e Ortega dominaram os avanços positivos do ano, acrescentando US$ 43 bilhões entre os dois. O desempenho dos dois bilionários contrastou com o da família que é proprietária de cerca de metade do Wal-Mart, maior varejista do mundo. Os cinco membros da família Walton perderam um total combinado de US$ 35 bilhões em 2015.

O declínio do mercado derrubou 49 bilionários do ranking diário este ano, incluindo o diretor da Glencore, Ivan Glasenberg, e Wang Jing, um empreendedor chinês de telecomunicações que, pessoalmente, investiu US$ 500 milhões para ajudar a Nicarágua a construir uma alternativa ao Canal do Panamá.

Glasenberg perdeu dois terços de seu patrimônio enquanto lutava para reduzir a dívida da empresa suíça de commodities e Wang caiu cerca de 86 por cento este ano.

Corrupção no Brasil

O bilionário brasileiro André Esteves, ex-presidente do maior banco de investimento independente da América Latina, tinha aparecido no índice pela última vez em 2014 e caiu ainda mais este ano, quando sua fortuna diminuiu US$ 1,5 bilhão. Esteves foi preso pela polícia em novembro por supostamente tentar interferir em uma investigação de corrupção. Os advogados de Esteves negam.

Após a prisão, ele deixou o cargo de presidente do conselho e CEO do Banco BTG Pactual, e as ações despencaram quase pela metade. Seu patrimônio, que atingiu o pico de US$ 4,9 bilhões em setembro de 2014, encerrou o ano em US$ 1,8 bilhão.

Seus advogados disseram em dezembro que o bilionário foi preso por ser rico. O STF autorizou a saída da prisão, mas ele permanece sob prisão domiciliar.

Esteves foi um dos personagens que caíram na maior investigação de corrupção na história do Brasil. A investigação - junto com uma crise política, a queda da moeda e a recessão - deixou apenas quatro dos 11 brasileiros no índice com ganhos em 2015.

Jorge Paulo Lemann, cofundador da 3G Capital e a pessoa mais rica do Brasil, liderou os ganhos com um salto de US$ 2,2 bilhões. Seus sócios Marcel Telles e Carlos Sicupira aumentaram sua fortuna em cerca de US$ 1,7 bilhão quando a 3G uniu forças com Warren Buffett para a fusão da Kraft Foods com a H.J. Heinz.

Os três bilionários também são acionistas da Anheuser-Busch InBev NV, a gigante do setor cervejeiro que decidiu comprar a SABMiller em um negócio de US$ 110 bilhões.

Instabilidade na China

Os bilionários da China tiveram as maiores oscilações em 2015. No dia 1º de janeiro, havia 23 bilionários chineses no índice, com um patrimônio líquido combinado de US$ 205 bilhões. No pico registrado no dia 27 de maio, havia 31 com US$ 348 bilhões. No dia 28 de dezembro, havia 28 bilionários com US$ 256 bilhões.

Com o crescimento dos mercados, a China tornou-se uma verdadeira fábrica de bilionários, com mais de 50 novos no primeiro semestre do ano. Até julho, a bolha tinha estourado. Dos 50 bilionários criados no primeiro semestre do ano, apenas 19 continuavam em agosto.

Queda do petróleo

Neste ano, a queda nos preços do petróleo e as dificuldades por causa das sanções contribuíram para a primeira contração da economia russa em seis anos. No dia 28 de dezembro, 19 russos na lista dos 400 mais ricos tinham perdido US$ 8 bilhões durante o ano.

O grupo estava a caminho de recuperar suas perdas de 2014 até junho, quando o preço do petróleo – principal produto de exportação da Rússia – começou a afundar.

A tecnologia foi o setor com melhor desempenho para os bilionários em 2015. Os 44 bilionários de tecnologia adicionaram US$ 81 bilhões a seu patrimônio líquido total, encabeçados pelos US$ 31 bilhões de Bezos. O CEO da Facebook, Mark Zuckerberg, ficou US$ 12 bilhões mais rico com a rede social embarcando em uma renovada campanha de publicidade móvel e o número de usuários crescendo ainda mais.

Fortes vendas de anúncios também aumentaram as fortunas de Sergey Brin e Larry Page, cofundadores da Alphabet, do Google. Eles ganharam US$ 20 bilhões.

Os 31 bilionários dos setores de metais, mineração e energia incluídos no índice foram duramente atingidos pelo colapso dos preços de petróleo, cobre, minério de ferro e outros recursos naturais, e suas fortunas perderam US$ 32 bilhões. A pessoa mais rica da Austrália, Gina Rinehart, perdeu mais de um quarto de sua riqueza quando o minério de ferro despencou quase pela metade.

Rinehart começou a vender neste mês o minério de ferro de sua mina Roy Hill, de US$ 10 bilhões, aumentando o fornecimento global. Alguns analistas dizem que isso poderia contribuir para uma queda ainda maior no preço. Ela é a 10ª mulher mais rica do mundo, com quase US$ 10 bilhões.

Bilhões escondidos

O índice Bloomberg descobriu 115 novos ou pouco conhecidos bilionários em 2015. Em novembro, a herdeira do Wal-Mart, Christy Walton, perdeu o título de segunda mulher mais rica dos EUA depois que documentos judiciais recentemente revelados mostraram que seu falecido marido, John T. Walton, deu um terço de suas ações da Wal-Mart para o filho deles, Lukas. Aos 29 anos, ele é a 92ª pessoa mais rica do mundo, com US$ 11 bilhões.

Ainda nos EUA, o crescimento dos principais bancos de investimento, Goldman Sachs e JPMorgan, fez com que seus respectivos presidentes, Lloyd Blankfein e Jamie Dimon, ficassem bilionários, raros casos em que administradores contratados acumulam uma fortuna extraordinária.

A abertura de capital em outubro da fabricante de carros Ferrari cimentou a fortuna bilionária do herdeiro de segunda geração, Piero Ferrari.

Em Hong Kong, Yeung Kin-man acumulou um patrimônio líquido de US$ 10 bilhões através da Biel Crystal Manufactory, um dos maiores fabricantes de revestimentos de vidro para iPhone e outros smartphones.

A ascensão de Yeung aconteceu depois que a abertura de capital em março da concorrente da Biel, a Lens Technology, transformou Zhou Qunfei na mulher mais rica da China. A fortuna de Zhou aumentou mais de US$ 5 bilhões, alcançando os US$ 7,9 bilhões neste ano, um aumento de 254 por cento, o maior no índice.

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