São Paulo – Investir em ações de promoção e prevenção de saúde de funcionários trazem resultados importantes, segundo 70% das empresas consultadas pela Associação Paulista de Recursos Humanos e Gestores de Pessoas (AAPSA) em junho. Apesar disso, 25% delas pretendem reduzir os gastos com benefícios ligados à saúde e 47% sequer medem os impactos das iniciativas adotadas.

O problema, de acordo com Milva Góis, diretora do grupo de saúde corporativa da AAPSA, está no fato de que o foco de boa parte das políticas de saúde corporativas é o tratamento de doenças em vez da promoção da saúde.

“O benefício saúde é hoje o segundo maior gasto das companhias, perde apenas para a folha de pagamento”, afirma. “Mas um aumento de custos não significa melhor cuidado com as pessoas".

De acordo com a pesquisa, boa parte das empresas pesquisadas (32%) promovem ações genéricas pontuais de conscientização, como palestras e semanas da saúde. Outras 18% têm programas para sedentarismo e tabagismo, 16% aplicam questionário sobre saúde e estilo de vida. Apenas 13% delas desenvolvem programas específicos de acordo com o grau de risco à saúde. Outras 13% não fazem nenhum tipo de ação.

O caminho para reduzir os gastos, segundo Milva, é exatamente trabalhar com a prevenção. E 77% das empresas já sabem disso, de acordo com o levantamento. Mas, para a diretora, a dificuldade em mensurar essas iniciativas reflete uma questão ainda mais ampla, que é a confusão entre um programa efetivo e ações isoladas. 

"Você só consegue um resultado efetivo, quando conhece a carteira do estado de saúde de todos os colaboradores e aplica atividades específicas para cada problema", diz Milva. Mas ela lembra: “Mapeamento também não traz resultados, ele é só o diagnóstico”. 

Ainda segundo o levantamento, apenas 36% das companhias têm ambulatório interno para o atendimento de seus funcionários.

Além disso, 65% das empresas optam por oferecer planos de saúde contributário -- quando há contrapartida paga pelo funcionário, descontada na folha de pagamento. Este é outro ponto que dificulta o corte de custos com benefício para a empresa, de acordo com Milva.

"Nestes casos, quando o funcionário é desligado, ele tem direito a continuar com o plano de saúde. Apesar de  ter que arcar com a parte que antes era da empresa, ele continua dentro da carteira da companhia e, caso haja reajuste no plano, isso é repassado para a corporação. Muitas empresas não sabem disso", afirma.

Veja a seguir as tabelas com os valores médios pagos pelas empresas aos planos de saúde e os principais motivos de falta no trabalho nas corporações:

Valor do ticket médio pago aos planos de saúde Porcentagem de empresas
Até R$ 50 per capita 5%
De R$ 50 a R$ 70 per capita 5%
De R$ 70 a R$ 120 per capita 35%
De R$ 120 a R$ 150 per capita 24%
Acima de R$ 150 per capita 32%
Motivo das faltas Pocentagem de empresas
Assistencial: doenças comuns, sazonais, doenças cirúrgicas não ocupacionais 32%
Parto e licença maternidade 20%
Ocupacional: acidentes, doenças ocupacionais e do trabalho 13%
Acidentes: domésticos e de trânsito 12%
Atestados médicos e odontológicos e ausência justifica pela chefia por tempo maior que o necessário 9%
Outros 14%

Confira os resultados da pesquisa da AAPSA na íntegra:

Apresentação Resultado Pesquisa Corporativa (2) by luisafmelo

Tópicos: Salários, Benefícios, Planos de saúde, Recursos humanos, Gestão de pessoas, Gestão, Saúde no trabalho