São Paulo - O ano de 2015 terminou com 1.047 concessionárias de veículos e peças fechadas no Brasil, o que provocou a perda de 32.000 empregos.

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (6) pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

Os números são consequência direta do desaquecimento do mercado automóveis no país. Durante todo o ano, 2,12  milhões de carros foram comercializados por aqui, uma queda de 24,06% ante 2014.

Quando considerado todo o setor de distribuição de veículos (que abrange também comerciais leves, caminhões, ônibus, motos e implementos rodoviários) as vendas chegaram a 3,98 milhões de unidades, quantidade 21,85% menor do que a alcançada no ano anterior.

Para 2016, segundo estimativas da instituição, o cenário será novamente de retração (com queda de 4,57% nas vendas no segmento de automóveis e de 5,20% no setor em geral) e ainda mais lojas com atividades encerradas.

"Lamentavelmente, a persistir o que temos vivido nesses últimos meses, política e economicamente, nós acreditamos que podemos chegar a 1.500 ou 1.600 concessionárias não operantes neste ano", disse Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, em conversa com jornalistas.

De acordo com ele, com os novos fechamentos, o número de trabalhadores demitidos no setor deve subir para algo entre 47.000 e 50.000 até dezembro.

Na visão do executivo, o fato de as montadoras estarem comercializando veículos diretamente ao consumidor, sem intermédio das concessionárias, não tem influência no fechamento das lojas.

"Isso aí é questão política e econômica. É mercado. Não tem PIB, a economia está estagnada, negativa. A questão é unicamente essa. A venda direta é um outro patamar, outro ciclo, outra modalidade, não tem relação", afirmou.

Hoje, funcionam no país aproximadamente 7.700 concessionárias  420 delas foram abertas em 2015. Do total, cerca de 4.500 vendem automóveis e comerciais leves.

Renovação da frota

Durante o evento para a divulgação do balanço, Assumpção revelou que a Fenabrave e um grupo de instituições  entre elas montadoras, metalúrgicas, seguradoras e sindicatos  planejam junto com o governo federal um programa de renovação da frota de veículos do país.

O projeto, que ajudaria a impulsionar o setor, deve ser finalizado e anunciado ainda em janeiro.

Por meio dele, donos de veículos muito antigos poderão trocá-los por uma carta de crédito (ou bônus) que será convertida em desconto na compra de um mais novo (que não seja 0 Km).

A ideia é tirar de circulação caminhões com mais de 30 anos de uso e carros com mais de 15, por exemplo.

"O veículo que sair de operação não volta para o mercado de forma parcial (por meio da venda de peças) nem total. Ele vai ter perda geral, será reciclado. A finalidade do programa é essa. É um atestado de óbito", afirmou Assumpção.

O executivo não explicou, entretanto, qual será a fonte de recursos para liberar essas cartas de crédito, mas garantiu que o dinheiro não sairá dos cofres públicos.

"Não existirá subsídio por parte do governo, até porque ele não tem como fazer isso, não tem caixa. Não temos ainda uma definição, mas provavelmente será via alguma taxa ou via algum seguro".

O programa teria a participação de bancos privados e também do BNDES.

"Vamos criar caixa e tesouraria para que esses bancos possam operar".

Segundo Assumpção, se o programa realmente for aprovado em janeiro, a perspectiva é de que 30.000 caminhões sejam renovados a cada ano.

Ainda não há estimativas para carros, mas para o setor total (que abrange também os ônibus, motos e implementos rodoviários) a expectativa é de trocar 500.000 veículos ao ano.

Texto atualizado às 18h10. 

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