São Paulo - Contratar o profissional errado pode custar à empresa até três vezes o salário dessa pessoa, anualmente, segundo estudo da consultoria Gi Group. Para não cair nessa armadilha, principalmente quando a vaga é para cargos executivos, é fundamental investir em processos de seleção eficientes.

Durante a entrevista de emprego, muita coisa precisa ser observada: a forma como o candidato se veste, como se porta e a maneira como fala. Mas há também algumas perguntas que não podem faltar para acertar em cheio na hora de escolher o profissional. Veja algumas delas, apontadas por especialistas:

1 Quais são as ameaças e oportunidades da sua indústria?

Se o candidato souber responder corretamente a essa questão, é sinal de que está bem informado sobre o setor em que atua e atento à concorrência, afirma a headhunter e sócia da CTPartners Magui Lins de Castro. “Prova que ele sabe em que cadeira está sentado. Para fazer o plano estratégico, por exemplo, ele precisa estar acompanhar o negócio, ler, saber o que se passa nas associações de classe”.

2 Quais as fortalezas e debilidades da empresa em que você trabalha atualmente?

Respondida a primeira pergunta corretamente, o próximo passo é saber se o profissional conhece bem a companhia na qual ele está.

3 Qual o motivo da sua saída do emprego anterior?

Pode ser uma crise financeira na antiga empresa, algo que incomodava no trabalho, uma oportunidade imperdível ou até mesmo uma demissão. O importante e que o candidato explique o que houve e, no caso de demissão, que tenha aprendido com o ocorrido.

“Essa é a pergunta que Jack Welch - ex-presidente da GE - disse que faria a um candidato, caso pudesse escolher apenas uma. Porém, o headhunter não deve se contentar com respostas padrões, como ‘estava buscando um desafio maior’. É preciso perguntar que tipo de desafio é esse? Por quê quis buscá-lo?”, afirma o headhunter e sócio da FLOW Executive Finders, Joseph Teperman.

4 O que você lê para traçar o plano estratégico?

“O candidato poderá citar qualquer coisa: um livro, uma pesquisa da companhia, artigos de economistas, material de seminários… Mas ele tem que se basear em dados, não somente no que ele pensa. O que importa é o que o consumidor acha”, afirma Magui.

5 Como você faz para demitir um funcionário?

Aqui o que interessa é a “habilidade que o profissional tem para lidar com situações desagradáveis e delicadas”, considera a diretora de gestão do talento da Maxim, Celia Spangher.

6 Em que momento da sua carreira você se sentiu mais pressionado? Qual foi o aprendizado que você tirou dessa situação? O que faria diferente?

A resposta para esta questão aponta para como a pessoa age sob pressão. “Mas é preciso que o candidato defina bem que pressão foi essa”, diz Teperman.

7 Qual foi o momento mais feliz da sua carreira?

Descobrir o momento em que alguém se sentiu mais completo e realizado profissionalmente diz muito sobre qual é o tipo de cultura empresarial em que essa pessoa melhor se encaixa. “É possível descobrir se o candidato têm um perfil de mais autonomia ou mais proximidade com a liderança, se gosta de trabalhar sob pressão ou mesmo se gosta do dia a dia, da rotina”, destaca Teperman.

8 Por que você quer trabalhar aqui?

Esta pergunta deixa transparecer se o candidato “fez o dever de casa” e se informou sobre a empresa em que pretende trabalhar e também permite ao recrutador conhecer o que o motiva, segundo o sócio diretor da consultoria Robert Wong Marcos Prospero. “A resposta certa geralmente tem muito mais a ver com a cultura da empresa e com o ciclo de crescimento que a pessoa pode ter ali do que com o trabalho em si”.

9 Que valor você pode trazer para a empresa?

É aí que o candidato tem a oportunidade de “vender” as suas habilidades técnicas. “É possível identificar quais se as características fortes dele são as que a empresa mais precisa para a vaga”, diz Prospero.

10 Por que devo escolher você?

Esta pergunta diz respeito às características pessoais de quem participa do processo seletivo, segundo Prospero. “Tem a ver com o que move essa pessoa. Quanto mais próximo isso estiver da cultura da empresa, mais ela se encaixa”.