Minerva lucra R$ 5,2 mi no tri no 1º tri e reverte prejuízo

Empresa reverteu prejuízo de 66,7 milhões de reais registrado no ano passado

São Paulo – A Minerva Foods, terceira maior em carne bovina no Brasil, teve lucro líquido de 5,2 milhões de reais no primeiro trimestre deste ano, revertendo prejuízo de 66,7 milhões de reais registrado em igual período do ano passado.

O lucro foi impulsionado por firmes vendas nos mercados interno e externo, informou a companhia nesta quinta-feira.

O Ebitda, indicador de geração de caixa operacional, atingiu 100,4 milhões de reais no primeiro trimestre deste ano, contra 77,2 milhões do mesmo trimestre de 2012 e 145,1 milhões de reais do quarto trimestre do ano passado.

O volume total comercializado pela empresa nos três primeiros meses deste ano somou 110,6 mil toneladas, com crescimento de 27,9 % ante igual período de 2012.

“O Brasil voltou a ocupar mais espaço no mercado externo e retomou sua posição como maior exportador de carne bovina do mundo… Isso é favorecido pela competitividade do Brasil (em termos de custo de produção) e pela redução dos rebanhos nos principais concorrentes”, disse a jornalistas o diretor-presidente da companhia, Fernando Galletti de Queiroz.

A receita líquida da Minerva no primeiro trimestre deste ano somou 1,195 bilhão de reais, superando os 944 milhões de reais do mesmo intervalo do ano passado, e ligeiramente abaixo dos 1,2 bilhão de reais dos últimos três meses do ano passado.

O maior avanço foi registrado no mercado externo, que representou cerca de dois terços do faturamento da companhia no último trimestre, crescendo 28,5 % no período, para 848,1 milhões de reais.

No trimestre anterior, as exportações geraram à Minerva Foods 836,6 milhões de reais.

A receita das vendas para o mercado interno no primeiro trimestre cresceu na comparação anual 21,9 %, para 421,8 milhões de reais.

No quarto trimestre, tradicionalmente mais forte, por conta das vendas para as comemorações de fim de ano, a receita no mercado interno foi de 450 milhões de reais.


O diretor financeiro da Minerva Foods, Edison Ticle, observou que os preços da arroba bovina –que representa em média de 80 % do custo de produção do setor-— subiram cerca de 2 % no primeiro trimestre ante o mesmo trimestre do ano passado, com o valor médio ficando em torno de 96,5 reais.

Cenário positivo

Os executivos da Minerva Foods veem um cenário positivo para este ano, com manutenção de firmes vendas tanto internas como externas, beneficiadas pela demanda dos mercados emergentes.

Galletti explicou que o consumo interno de carne bovina seguiu firme, uma vez que os preços no varejo tiveram queda de 2 a 4 %. Trata-se de movimento contrário ao da carne de frango, cujos preços ao consumidor final foram reajustados por repasse de custos desde o salto nos preços de grãos em meados do ano passado.

Além disso, as restrições na oferta de animais em mercados concorrentes do Brasil, como Estados Unidos e Austrália, fazem com que os importadores comprem mais do produto brasileiro.

“No último trimestre, a Ásia, sobretudo China e Hong Kong, ampliaram sua participação, enquanto mercados tradicionais como a Rússia e Oriente Médio continuam importando bem… Falta carne no mundo todo e o Brasil esta ocupando este espaço”, disse o presidente da companhia.

Para o executivo, 2013 deve ser um ano de vendas externas firmes, com o Brasil consolidando sua liderança no setor, e ele prevê nova melhora das vendas no próximo trimestre, por conta dos preparativos de parte dos países do Oriente Médio para o período de Ramadã.

Além do cenário positivo do lado da demanda, a Minerva Foods trabalha com a expectativa de redução dos custos com gado ao longo dos próximos trimestres.

“Os preços da arroba já começaram a recuar, e a expectativa de aumento do confinamento neste ano deve levar a um equilíbrio maior dos preços da arroba no segundo semestre”, disse o diretor financeiro da companhia.


O confinamento é usado como estratégia de engorda dos animais durante o período de estiagem, quando o potencial nutricional dos pastos é reduzido e os animais precisam ser alimentados com ração.

Segundo Ticle, pesquisas iniciais de intenção dos pecuaristas indicam um aumento de 4 a 5 % no número de animais confinados ao longo de 2013.

O confinamento representa, em média, cerca de 10 % do abate total do país, que é de cerca de 40 milhões de cabeças/ano.