Menor crescimento da Gucci em quatro anos afeta a Kering

Crescimento da receita da Gucci está sob pressão enquanto consumidores de luxo passam para marcas que percebem como mais exclusivas

Paris – A Kering sofreu a maior queda em seis semanas depois que sua marca de luxo Gucci registrou o menor crescimento trimestral das vendas em quatro anos em meio à demanda decrescente na Europa e na China.

As vendas comparáveis da Gucci no quarto trimestre ganharam 0,2 por cento, disse a Kering hoje em um comunicado, desde sua sede em Paris. Assim, desaceleraram frente ao terceiro trimestre e ficaram abaixo das estimativas de crescimento de 0,8 por cento. As ações caíram até 3,7 por cento, eliminando cerca de 700 milhões de euros (US$ 960 milhões) do valor de mercado da Kering.

O crescimento da receita da Gucci está sob pressão há cerca de um ano enquanto os consumidores de produtos de luxo, particularmente os da China, passam para marcas que percebem como mais exclusivas. Esta realidade aumentou a dependência da Kering de marcas menores como a Bottega Veneta e a Yves Saint Laurent. Ambas as marcas tiveram um desempenho sólido no quarto trimestre, e as vendas da segunda aumentaram 42 por cento de forma comparável.

“A Gucci é o problema crucial para as ações atualmente, dadas as interrupções pelo reposicionamento na China”, escreveu em uma nota para clientes Helen Norris, analista da Barclays. Ela está overweight sobre as ações.

A Kering está aumentando preços e aprimorando a distribuição na Gucci em um esforço por aumentar o atrativo da sua maior marca. Contudo, o quarto trimestre foi o mais fraco da Gucci desde o terceiro de 2009, quando as vendas comparáveis caíram 7 por cento.

Foco na China

A Gucci foi afetada pela redução do fluxo de turistas à Europa, disse hoje o diretor financeiro da Kering, Jean-Marc Duplaix, em um telefonema aos jornalistas. As vendas da Gucci no quarto trimestre nos EUA e no Japão continuaram amortecendo uma queda na China que foi menos severa do que nos três meses anteriores, disse Duplaix.


A Kering está focada em fazer com que a estratégia da Gucci funcione na China, disse o CEO François-Henri Pinault em uma apresentação em Paris. O foco abrange reduzir o ritmo de abertura de lojas nesse país, disse ele. A Kering não planeja realizar aquisições no chamado segmento de luxo acessível, de crescimento rápido, disse o CEO.

As vendas da unidade de luxo da Kering no quarto trimestre aumentaram 7,4 por cento de forma comparável, superando as estimativas. Isso incluiu um crescimento de 13 por cento na Bottega Veneta.

Queda dos lucros

Os lucros antes de juros e imposto de renda da Kering em 2013 caíram para 1,75 bilhões de euros frente a 1,79 bilhões de euros um ano atrás. Os analistas predisseram 1,77 bilhões de euros, segundo a mediana de 17 estimativas compiladas pela Bloomberg. A receita total aumentou 0,1 por cento para 9,75 bilhões de euros.

A renda líquida caiu para 49,6 milhões de euros de 1,05 bilhões de euros. Em novembro, a Kering disse que esperava que os lucros para 2013 caíssem significativamente pelos custos ligados à venda da unidade de pedidos por correio La Redoute e custos únicos na Puma SE. Excluindo os itens exclusivos, os lucros caíram 3,1 por cento para 1,23 bilhões de euros.

Ontem, a Puma, a segunda maior fabricante de bens esportivos da Europa, descartou uma recuperação rápida após anunciar lucros para o ano completo que caíram mais do estimado pelos analistas. A Kering possui cerca de 84 por cento da empresa alemã, que está realizando medidas de reestruturação desde 2009.

A Kering prognostica um crescimento da receita e dos lucros antes de juros e imposto de renda para 2014, disse a empresa no comunicado. Um executivo na apresentação não quis confirmar uma meta anunciada anteriormente de 24 bilhões de euros em receita até 2020, dizendo que não é uma meta fixa.