Marfrig quer usar venda da Moy Park para reduzir alavancagem

Valor total do negócio ficou em aproximadamente 1,5 bilhão de dólares, incluindo 200 milhões de libras em dívidas da Moy Park que a JBS irá assumir

São Paulo – A Marfrig pretende usar “quase de forma integral” os cerca de 1,19 bilhão de dólares que vai receber à vista com a venda da unidade europeia Moy Park para reduzir sua dívida bruta, com considerável redução em indicadores de alavancagem, disseram executivos da companhia nesta segunda-feira.

A Marfrig anunciou no domingo que fechou contrato com a JBS, maior produtora de carnes do mundo, para a venda de sua unidade de frangos e alimentos processados na Europa.

O valor total do negócio ficou em aproximadamente 1,5 bilhão de dólares, incluindo 200 milhões de libras em dívidas da Moy Park que a JBS irá assumir.

“(O recurso) será usado substancialmente na redução da dívida bruta. Uma vez que o recurso deverá entrar entre o terceiro o quarto trimestre, é de se esperar que essa redução ocorra entre o final de 2015 e 2016”, disse o diretor de Relações com Investidores empresa de alimentos, Marcelo Di Lorenzo, em teleconferência com analistas.

A Marfrig fechou o primeiro trimestre de 2015 com dívida líquida de 10,73 bilhões de reais.

Com a venda da Moy Park, o endividamento da companhia cairia cerca de 5 bilhões de reais, para 5,7 bilhões, tomando-se como base um câmbio de 3,10 reais por dólar e a dívida ao final do primeiro trimestre, segundo simulação feita pela companhia.

A relação entre dívida líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), um importante indicador de alavancagem, fechou o primeiro trimestre de 2015 em 5,82 vezes, no ajuste anualizado.

“Se o real permanecer constante, nos patamares atuais, a gente espera reduzir esse nível de alavancagem para abaixo de 4, muito possivelmente em torno de 3,7 vezes até o final do ano”, estimou Di Lorenzo.

Com o menor volume de dívida, a Marfrig também estima reduzir em 300 milhões de reais os desembolsos com o pagamento de juros no ano consolidado. “Isso vem para um reforço do fluxo de caixa”, disse Di Lorenzo.

Os executivos disseram que a empresa não pretende vender mais nenhuma unidade ou participação em seus negócios e que também não irá usar os novos recursos para fazer aquisições.

“O nosso crescimento será 100 por cento dentro das unidades que a Marfrig tem hoje atualmente. Esse crescimento já está planejado”, disse o diretor-presidente Martin Secco Arias.