Lucro da Cimpor até setembro cai, mas supera previsões

Cimenteira portuguesas culpou aumento de impostos pela queda; no Brasil faturamento subiu 45%

Lisboa – O lucro líquido da Cimpor –cimenteira portuguesa que tem Votorantim e Camargo Corrêa entre os sócios– caiu 4,1 por cento nos primeiros nove meses de 2010, devido a um “substancial aumento de impostos”, mas ficou acima da média prevista por analistas.

A líder dos cimentos em Portugal registrou, entre janeiro e setembro, lucro de 170,5 milhões de euros, acima dos 166,8 milhões de euros esperados pelos analistas.

A Cimpor disse, em comunicado, que a redução do lucro foi decorrente de “substancial aumento de impostos, como se pode verificar pelo crescimento de 1,8 por cento dos resultados antes de impostos”.

A receita da empresa subiu 6,7 por cento de janeiro a setembro, para 1,68 bilhão de euros, em linha com as previsões dos analistas. O volume de vendas de cimento e clínquer cresceu 3,9 por cento, para 21,3 milhões de toneladas.

O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) subiu 4 por cento no ano até setembro, para 475,1 milhões de euros, acima dos 470,9 milhões de euros estimados. No mesmo período, a margem Ebitda caiu para 28,3 por cento, de 29 por cento um ano antes.

A cimenteira destacou o forte desempenho do mercado brasileiro, cujo faturamento cresceu 45 por cento de janeiro a setembro, para 445,2 milhões de euros, seguido da Turquia, com avanço das vendas de 37,9 por cento, para 110,5 milhões de euros.

Em Portugal e na Espanha, a receita caiu, respectivamente, 0,3 e 15,7 por cento, para 343,3 milhões e 213,2 milhões de euros.

No terceiro trimestre apenas, a cimenteira teve alta do lucro de 1,5 por cento, para 71,8 milhões de euros, com crescimento da receita de 7,5 por cento, para 593,3 milhões de euros, e Ebitda 10,9 por cento maior, a 176,4 milhões de euros.

A Cimpor foi alvo de intensa disputa por três grupos brasileiros entre o final do ano passado e início de 2010.

A Votorantim –maior cimenteira do Brasil com dois quintos do mercado– assegurou fatia de 21,2 por cento no capital da Cimpor por meio de acordos fechados diretamente com acionistas da empresa, com pagamento em ativos pela maior parte das ações.

A Camargo Corrêa, por sua vez, adquiriu participação de cerca de 31 por cento na Cimpor.

Antes dos movimentos de Votorantim e Camargo Corrêa, a CSN fracassou na tentativa de assumir o controle da cimenteira portuguesa, após uma oferta hostil de compra.