Lucro da América Móvil cai 45,5% no segundo trimestre

Os custos financeiros subiram de 2,45 bilhões de pesos mexicanos (US$ 182 milhões) no segundo trimestre de 2011 para os atuais 17,2 bilhões de pesos (US$ 1,28 bilhão)

São Paulo – A América Móvil, controladora da operadora Claro no Brasil e detentora de participação na Embratel e, consequentemente, na Net Serviços, divulgou seu balanço fiscal referente ao segundo trimestre de 2012. Seguindo a tendência do mercado, ela divulgou um lucro abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.

A empresa conseguiu 13,3 bilhões de pesos mexicanos (cerca de US$ 990 milhões), equivalente a 0,17 pesos mexicanos por ação (US$ 0,01). Isso significou uma queda de 45,5% que, de acordo com a empresa, é atribuída à depreciação cambial em várias moedas da América Latina, além da instabilidade do mercado global.

O faturamento total da empresa foi de 191,7 bilhões de pesos mexicanos (US$ 14,25 bilhões), crescimento de 9,3% ano a ano. No entanto, os custos financeiros subiram de 2,45 bilhões de pesos mexicanos (US$ 182 milhões) no segundo trimestre de 2011 para os atuais 17,2 bilhões de pesos (US$ 1,28 bilhão). Isso acabou impactando na queda dos lucros.

A margem EBTIDA da América Móvil foi de 65,5 bilhões de pesos mexicanos (US$ 4,87 bilhões), um aumento de 3,1% em relação ao ano anterior e correspondente a 34,1% da receita. Os lucros operacionais totalizaram 39,1 bilhões de pesos mexicanos (US$ 2,9 bilhões), queda de 1% comparando com 2011.

Já o débito líquido aumentou para 29,7 bilhões de pesos mexicanos (US$ 2,2 bilhões) por conta de investimentos na operadora holandesa KPN (com operação também na Alemanha e Bélgica), onde agora conta com 27,7% das ações, e na Telekom Austria, agora com 21% dos papéis.


Números brasileiros

O Brasil continua o país com maior operação de linhas fixas, com crescimento de 26,6% no faturamento e chegando a 26,3 milhões de acessos, seguido pelo México com 22,7 milhões, América Central e Caribe com 5,9 milhões e Colômbia com 3,9 milhões. Apesar de possuir uma base de clientes menor, o bloco do Peru, Equador e Argentina tiveram as maiores taxas de crescimento, com média de 45%.

A base de assinantes de serviços móveis da Claro chegou a 63 milhões em junho no Brasil, 13,4% mais do que no ano anterior, sendo 1,4 milhão de novos clientes somente no segundo trimestre e 2,6 milhões no acúmulo do primeiro semestre de 2012. A quantidade de assinantes de TV paga aumentou 41,1%, chegando a 11,4 milhões de clientes, enquanto os acessos de Internet de banda larga fixa chegaram a 5,2 milhões de brasileiros, alta de 23,9% em relação ao mesmo período de 2011.

O faturamento no País foi de R$ 7,5 bilhões, mas teve uma taxa de aumento reduzida de 8 ,8% para 4,1% em relação ao trimestre do ano anterior (quando registrou R$ 5,7 bilhões). Muito desse total foi graças ao bom desempenho dos serviços de TV paga e Internet fixa, que cresceram 26,6% e 28,6%, enquanto o faturamento em dados móveis cresceu 25,1%.

A América Móvil justificou o impacto negativo nos números por conta da redução da utilização de chamadas em longa distância, o esfriamento da economia brasileira e a consequente competição mais acirrada, especialmente no segmento móvel. O EBTIDA foi de R$ 1,8 bilhão, queda de 6,2% em relação ao mesmo período de 2011.

Reclamações

A América Móvil destacou ainda os resultados no leilão do 4G, com aquisições de 40 MHz na faixa dos 2,5 GHz e mais 20 MHz na frequência de 450 MHz para 19 estados, além de 14 MHz adicionais nesse espectro para a área rural em alguns estados das regiões Norte e Nordeste, além de parte da área metropolitana de São Paulo.

A companhia mexicana ainda declarou que as restrições nas vendas impostas pela Anatel em 18 de julho vieram de “um novo critério de ‘número de reclamações apresentadas à base de assinantes / Anatel’ em vez de considerar as medidas de qualidade que a agência determina regularmente, no qual a Claro se situa em posição mais favorável”. Apesar da reclamação, a empresa ressaltou que a operadora brasileira irá continuar a trabalhar para “melhorar a capacidade e qualidade de suas redes, assim como a assistência ao consumidor”.