Itaú diz não esperar impacto da aquisição da XP em 2017

Com a aquisição, o banco espera gerar criação de valor para seus acionistas com base na expectativa de crescimento

São Paulo – O presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, disse que a aquisição de uma fatia minoritária na XP Investimentos não deve trazer impacto significativo no resultado do banco neste ano. Isso porque, acrescentou ele, as aprovações regulatórias para o negócio podem levar um ano.

De acordo com Bracher, o Itaú espera, com a aquisição da participação minoritária da XP, gerar criação de valor para seus acionistas com base na expectativa de crescimento do negócio.

Na quinta-feira, o banco firmou acordo para comprar 49,9% da XP Investimentos por R$ 6,257 bilhões, sendo R$ 600 milhões desse total referentes ao aporte.

Aumento de capital

A injeção de R$ 600 milhões que o Itaú Unibanco fará na XP Investimento servirá para reforçar o capital de giro da companhia, pagar a aquisição da Rico, feita ano passado, ou para “qualquer outro investimento” que a corretora queira fazer, disse Bracher.

A XP estava trabalhando para realizar uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), que seria secundária e primária, ou seja, com injeção de recursos no caixa da empresa.

Competição

Segundo Bracher, a XP Investimentos continuará competindo com as demais corretoras, incluindo o próprio Itaú Unibanco. “O Itaú não terá acordo de preferência na comercialização de produtos na XP”, explicou ele, em teleconferência com analistas e investidores.

O executivo disse que será uma decisão exclusiva da XP distribuir, ou não, produtos do Itaú. “A XP decidirá se irá distribuir um produto do Itaú ou de qualquer outro banco”, afirmou.

De acordo com o executivo, o cálculo que o Itaú fez para obter o valor que será pago pela XP considerou a situação econômica atual do Brasil, ou seja, sem esperar uma grande melhora da economia. Na avaliação feita pelo Itaú, o valor total da XP foi definido em R$ 12 bilhões, número que reflete um múltiplo de preço sobre o lucro estimado para 2018 em 20 vezes. No ano passado, o lucro líquido ajustado da XP foi de R$ 251 milhões.

“A projeção de crescimento do lucro da XP é baseado no crescimento que a empresa já tem”, afirmou. Ele lembrou que, ao longo dos anos, a XP conseguiu atrair clientes dos bancos para sua plataforma. Bracher frisou ainda que um dos pontos que interessou ao banco em realizar o negócio foi a paixão e qualidade da gestão dos atuais administradores da XP.

Após o cumprimento de determinadas condições precedentes, incluindo aprovações regulatórias, o Itaú passa a ter direitos como acionista minoritário da XP Holding e poderá indicar entre dois e sete membros para o Conselho de Administração da corretora.