Igualdade para mulheres começa na liderança, diz Monsanto

Para a multinacional de biotecnologia, o aumento da diversidade - de gênero, orientação sexual e raça - não é apenas uma política de RH

São Paulo – Criar um ambiente de trabalho inclusivo para mulheres não é tarefa apenas do departamento de recursos humanos de uma empresa. Inclusive, se essa for uma preocupação apenas de um setor, não irá funcionar.

Segundo Rodrigo Santos, presidente da Monsanto, “a inclusão de mulheres nos cargos de liderança precisa ser uma política muito forte dentro da nossa empresa, a começar pela liderança”.

Para a multinacional de biotecnologia, o aumento da diversidade – de gênero, orientação sexual e raça – não é apenas uma política de RH. “Acreditamos que isso irá trazer resultados financeiros melhores”, afirmou Santos.

“Criamos equipes mais criativas e capazes de lidar com os problemas complexos da sociedade”, disse ele, no Seminário Empoderamento da Mulher promovido pela Amcham, Câmera Americana de Comércio no Brasil.

Empresas que promovem a igualdade de gênero tem 15% a mais de probabilidade de ter resultados financeiros melhores do que a média do mercado. Somando a diversidade racial, esse número sobe para 35%, afirmou Elisabet Rodriguez Dennehy, professora da University of Pittsburg e especialista em integração de gênero.

Para discutir essas questões, a Monsanto criou três grupos de discussão, sobre mulheres, público LGBT e pessoas com deficiência. Nesses grupos, a empresa estudou a criação de novas políticas para impulsionar a equidade de gênero no grupo.

Uma delas é o programa de mentoria para a liderança, inclusive ações específicas para mulheres. Licença maternidade estendida também está entre os benefícios oferecidos.

A empresa procura assegurar que mulheres participem dos treinamentos e programas de desenvolvimento, assim como de processos seletivos. “Percebemos que, quando há uma posição nova aberta na companhia, os homens se arriscam muito mais. Pensamos no que podemos fazer para que uma mulher se desafie mais”, afirmou.

A mentoria voltada para desenvolver a liderança feminina também é uma política da Pfizer. A farmacêutica busca desenvolver suas funcionárias ao expô-las a novos desafios e oportunidades. Rotacionar as pessoas entre várias equipes e áreas diferentes também é uma forma de enriquecer as equipes.

Para Victor Mezei, presidente da empresa no Brasil, o trabalho para aumentar a diversidade também precisa começar pela liderança. Ele afirma que, em 2009, a empresa tinha apenas 18 mulheres nos cargos de diretoria. Hoje, são 53.

Para a Pfizer, empregar mulheres tem uma relação direta com entender seus clientes. Hoje, grande parte das decisões sobre a saúde e o orçamento doméstico são feitas por mulheres, explica Mezei. Além disso, elas compõem a maior parte dos médicos recém formados, com menos de 29 anos.

Para a Monsanto, o trabalho não terminou. “Ainda não conseguimos atingir, na nossa empresa, o equilíbrio total. Há muito mais mulheres se formando nas biológicas do que homens, hoje. E a porcentagem de negros na sociedade é maior do que em casos de chefia, mas é o começo de uma jornada”, afirmou Santos.