Meirelles responsabiliza Silvio Santos por rombo de 2,5 bilhões de reais

"O responsável número 1 é o acionista majoritário. Em seguida, os órgãos de controle da instituição", disse o presidente do Banco Central

São Paulo – O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, responsabilizou o apresentador e empresário Silvio Santos, controlador do banco Panamericano, pelo rombo de 2,5 bilhões de reais detectado nas contas da instituição financeira. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Meirelles disse que Silvio deveria ter descoberto a fraude que se passava no banco.

“O responsável número 1 é o acionista majoritário. Em seguida, os órgãos de controle da instituição: os conselhos, a auditoria interna, controles internos etc. Além do controle externo, do ponto de vista do mercado/ investidores, que é feito pela auditoria externa. Essa é a linha de responsabilização direta pela integralidade dos resultados contábeis da instituição. O trabalho de supervisão do BC faz uma série de avaliações que não substituem os controles internos e a auditoria externa”, afirmou Meirelles.

A fraude foi percebida durante a análise das operações de crédito vendidas pela financeira do Grupo Silvio Santos aos grandes bancos de varejo. Na análise feita pelo BC, foi constatado que essas instituições haviam adquirido operações do Panamericano em número menor que o declarado pela financeira do empresário Silvio Santos. É como se o comprador declarasse a aquisição de 10 carteiras, mas o vendedor registrava a venda de 50 operações. Ao reconhecer a falha, Silvio Santos tomou a frente das negociações para recuperar a saúde financeira da instituição financeira.

Na semana passada, o apresentador fechou um acordo com o BC para ter acesso a um empréstimo de 2,5 bilhões de reais para “salvar” o Panamericano. Em troca, o Grupo Silvio Santos ofereceu como garantia os bens do patrimônio empresarial – que incluem o STB e o Baú da Felicidade. A fraude sofrida pelo banco foi detectada há pouco mais de cinco semanas por técnicos do BC. Meirelles também rebateu as críticas a respeito da demora da autoridade monetária para detectar as inconsistências contábeis:

“O BC agiu a tempo de não causar prejuízo ao poder público, aos depositantes, ao sistema financeiro e à economia. O único prejudicado foi o acionista controlador, que assumiu o prejuízo de acordo com a lei – corretamente – e era, em última análise, o responsável”, disse o presidente do BC ao jornal.