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Escrúpulos | 03/09/2010 17:23

Quando as declarações exageradas e falsas passam dos limites?

Mentir pode ser parte da natureza humana, mas ser pego cometendo este deslize pode arruinar uma carreira

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Getty Images

Tony Hayward nova

Tony Hayward, ex-CEO da BP é um dos exemplos mais recentes de executivos que meteram os pés pelas mãos nas declarações

 

Quando as figuras públicas são pegas enfeitando suas conquistas ou qualificações, quer seja pelo exagero ou falsidade, em todos os lugares as pessoas expressam indignação. De fato, à medida que cada vez mais políticos, CEOs e outros grandes títulos tentam nesses dias fazer reparações por terem falsificado seus currículos, relatado incorretamente os detalhes de uma estória ou tratado os fatos de forma leviana, a reação geral de um público cada vez mais saturado é: "No que eles estavam pensando?"

Como se verifica, o que eles estavam pensando não é muito diferente do que pensam todos os demais. A mentira faz parte da natureza humana, dizem os especialistas, e quase todos mentem uma hora ou outra. Se não for controlada, no entanto, os exageros que pareciam inócuos no início podem produzir conseqüências graves, possivelmente acabando com a carreira. "(Ser pego) pode ser devastador; Creio que pode arruinar uma pessoa", diz Alan Strudler, professor de estudos legais e de ética nos negócios da escola de administração Wharton. Essa é uma infelicidade, ele acrescenta, "porque a mentira é só uma falha humana. Mas uma vez pego numa fraude, mesmo se for uma fraude comum, as pessoas perdem a confiança. E uma vez que o elo de confiança é perdido, é terrivelmente difícil ser recuperado".

No ambiente de trabalho de hoje, onde ninguém é chamado para uma entrevista de emprego sem que seu nome tenha sido investigado pela internet - e onde as conversas no elevador ou os comentários feitos nas reuniões estão a apenas uma postagem no Twitter distantes de alcançar uma platéia global - é mais fácil ser pego exagerando os fatos, observaram os especialistas da Wharton e de outras entidades. Mas a tentação de falsificar também nunca foi maior, eles dizem, no momento em que os trabalhadores fatigados pela recessão se sentem pressionados a justificar seu valor e um ciclo de 24 horas de notícias exige que os líderes tenham uma resposta imediata e vigorosa para tudo.

"As dúvidas surgem quando ocorre algo que quebra a fachada social de que somos todos honestos e dignos de confiança", diz G. Richard Shell, professor de estudos legais e de ética nos negócios da Wharton. "Quando se descobre que alguém cometeu um ato egoísta, abre-se uma fenda na fachada e então todos têm de procurar saber o que isso significa. A fenda revela algum tipo de pessoa corrupta, ou revela o mesmo tipo de pessoa miserável que todos temos dentro de nós?"

Encontrando o limite

O tipo de auto-ilusão que a maioria das pessoas adota cai no meio de um espectro ocupado numa ponta por aqueles que só dizem a verdade, e como consequência são muitas vezes considerados "rudes e socialmente ineptos - pense uma pequena criança dizendo a uma convidada para o jantar que ela é gorda", diz Shell - e na outra ponta do espectro ocupada pelos mentirosos patológicos, que vivem num mundo de fantasia que eles acreditam ser real.

* Publicado originalmente em 26 de junho de 2010.  Reproduzido com a permissão de Knowledge@Wharton.

 

Comentários (2)  

Jose

LEITURA OBRIGATORIA PARA O ENDIVIDADO BOLHONARIO BATISTA. O EULER FEZ UM BOM TRABALHO EM TRAZER A LUZ...

17.05.2012 | Ler comentário completo |  

jose carlos lopes barros

que otimo artigo

27.04.2012 |  

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