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Satisfação dos consumidores com a disponibilidade dos produtos caiu
Não é segredo que a gestão da cadeia de suprimentos saiu das sombras em termos de estratégia de negócios. As organizações que antes se concentravam principalmente nas redes de distribuição, na diferenciação de lucro e no aprimoramento do marketing para ter sucesso agora adotaram a cadeia de suprimentos integrada como um componente estratégico essencial de crescimento e lucratividade na economia global.
Mas o processo de colocar o produto certo, no lugar certo, na hora certa e pelo preço certo – os critérios tradicionais do sucesso da cadeia de suprimentos – permanece uma meta desafiadora e difícil de definir. Embora as cadeias de suprimento tenham sem dúvida se tornado mais sofisticadas nas últimas décadas, um recente estudo publicado na Harvard Business Review concluiu que nem sempre isso produziu melhora do desempenho: “Apesar da maior eficiência das cadeias de suprimentos de muitas empresas, a percentagem de produtos que tiveram seus preços reduzidos nos Estados Unidos cresceu de menos de 10% em 1980 para mais de 30% em 2000, e as pesquisas mostram que a satisfação dos consumidores com a disponibilidade do produto caiu bastante durante o mesmo período”.
E no decorrer do tempo, o valor real das cadeias de suprimentos eficientes e os custos verdadeiros da gestão ineficiente de cadeias de suprimentos foram claramente documentados. Num estudo intitulado “Qual é a Cadeia de Suprimentos Apropriada para seu Produto?” Marshall L. Fisher, professor de operações e de gestão de informações da Wharton e co-diretor do Centro para Gestão de Serviços e Operações Fishman-Davidson, citou um estudo do setor alimentício americano estimando que “a má coordenação entre os parceiros da cadeia de suprimentos desperdiçava 30 bilhões de dólares por ano. As cadeias de suprimentos de muitos setores sofrem de excesso de produtos e da falta de outros devido à incapacidade de prever a demanda. Uma rede de lojas de departamentos que regularmente tinha de reduzir os preços para vender as mercadorias menos procuradas descobriu nas entrevistas com os clientes que deixavam as lojas que um terço deles saía de mãos vazias porque os artigos específicos que queriam comprar estavam em falta”.
Um recente estudo realizado pela consultora Boston Consulting Group (BCG) sobre a integração da cadeia de suprimentos para empresas em processo de fusão notou que “qualquer fraqueza no sistema no primeiro dia da vida da nova organização pode rapidamente se transformar em excesso de estoque, falta de estoque ou mesmo em perda de clientes. E o prejuízo pode ser grave. Em alguns setores, uma integração ineficiente pode elevar os níveis de estoque em 40% dentro de poucos meses. Pode ter impacto similar ou até maior nos custos de distribuição, na pontualidade das entregas e numa variedade de outras métricas”.
Os especialistas de cadeia de suprimentos da BCG e da Wharton concordam que uma coordenação cautelosa dos elementos da cadeia de suprimentos e um alto nível de colaboração estão entre os critérios principais para a criação de gestão de cadeia de suprimentos bem-sucedida. De fato, num mundo de concorrência acirrada, esses dois elementos da cadeia de suprimentos – que com tanta frequência são dados como certos – podem significar a diferença entre o meramente funcional e o lucrativo quando se trata de comprar produtos e serviços de fabricantes ao redor do mundo e distribuí-los para os consumidores globais do modo mais rápido e econômico possível.
“Os dias em que os negócios eram feitos a três portas do departamento de suprimentos acabaram”, disse Steve Matthesen, vice-presidente do escritório de Los Angeles da BCG e especialista em cadeia de suprimentos. “Todos exigem ações mais persistentes contra os concorrentes mais fortes... Meus clientes vão ampliar as variedades de Unidades de Manutenção de Estoque (SKU, na sigla em inglês) numa segmentação cada vez mais detalhada das necessidades dos consumidores, de forma a satisfazer as exigências de uma crescente tendência geral de consumo que diz, ‘Eu quero o que eu quero; Eu quero pelo menor preço; Eu quero seletividade; e se você não tem, eu vou procurar em outro lugar’. Quanto mais complexidade desse tipo você tiver na cadeia de suprimentos, mais difícil se torna fazer as coisas funcionarem”.
* Publicado originalmente em 6 de setembro de 2006. Reproduzido com a permissão de Knowledge@Wharton.
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