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Recrutamento | 03/09/2010 18:47

A caça ao talento

Conseguindo as pessoas que necessita, quando necessita delas

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Mulheres têm mais habilidade para lidar com as emoções das outras pessoas

 

Pergunte a qualquer CEO ou executivo de nível sênior qual é seu principal desafio, e a resposta é quase sempre encontrar e reter os bons profissionais. Contudo, a maioria dos executivos não consegue lidar com as necessidades de suas empresas de uma forma que reconheça a imprevisibilidade do mercado global. Num livro intitulado, Talento on Demand: Managing Talent in an Age of Uncertainty (Talento sob Demanda: A Gestão de Talento na Era da Incerteza), Peter Cappelli, diretor do Centro de Recursos Humanos da Wharton, propõe uma nova abordagem para esse tema baseada na aplicação dos princípios de gestão da cadeia de suprimentos para pessoas. Ele e Joyce Bradley – vice-presidente sênior e diretora geral da Lee Hecht Harrison, uma consultora global de capital humano sediada em Woodcliff, New Jersey - conversaram com a Knowledge@Wharton sobre a gestão de talento e os desafios de gerenciamento de funcionários numa economia recessiva. Uma transcrição editada da entrevista segue abaixo.

Knowledge@Wharton: Peter, você poderia definir a gestão de talento e fazer um resumo de como se relaciona com a gestão de cadeia de suprimentos?

Cappelli: A gestão de talento é um tema simples. Estamos tentando antecipar quais serão as necessidades e a demanda por pessoas, por capital humano, no futuro, e então criar um tipo de plano apropriado. É bastante simples. É o mesmo problema que vemos em diferentes partes do mundo dos negócios: Qual será nossa necessidade? Como vamos atender essa necessidade?

A complicação é que antigamente isso era realmente visto como um problema de engenharia. Acreditava-se que tudo era previsível. Se voltarmos para os dias de regulamentação, por exemplo, onde as empresas sabiam com certeza o que estariam produzindo 10 anos depois, elas podiam fazer um retrospecto e dizer qual será a demanda pelo produto daqui a 10 anos e quais produtos serão produzidos. Essas são as habilidades que vamos necessitar para produzir esses produtos. Basta fazer um retrospecto.

Outra convicção era que o talento era prata da casa. As empresas contratavam pessoas diretamente nas universidades ou nas escolas de administração, colocavam-nas em programas de trainee ou de desenvolvimento profissional e depois trabalhavam suas habilidades por meio desses processos. Assim, tínhamos esses grandes sistemas burocráticos baseados na convicção da certeza, de saber quais seriam as necessidades e bastava fazer um retrospecto e montar sua estratégia.

O problema agora é que toda essa convicção de certeza desapareceu. Os mercados de produtos mudam com muita rapidez, as pessoas saltam de empresa em empresa, não se pode saber com certeza qual será a demanda nem qual será a oferta, pelo menos a oferta interna. Então, temos de pensar nesse tema de forma diferente. Há uma série de técnicas procedentes de áreas como gestão da cadeia de fornecimento que foram criadas, especificamente, para lidar com essa incerteza. É isso que estamos pensando em fazer: como administrar a incerteza do processo.

* Publicado originalmente em 16 de abril de 2008.  Reproduzido com a permissão de Knowledge@Wharton.

 

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