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Expansão | 21/04/2010 12:10

Seis meses para mudar a Bunge

É esse o prazo que o executivo Pedro Parente tem para concluir uma transformação radical na Bunge do Brasil - a integração de duas operações que trabalham de forma independente há quase um século

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Parente, presidente da Bunge do Brasil: mudança no estilo "organização base zero"

Parente, presidente da Bunge do Brasil: mudança no estilo "organização base zero"

Uma medida aparentemente burocrática marcou o início de uma profunda mudança na Bunge, em fevereiro. A partir da primeira segunda-feira daquele mês, o ex-ministro Pedro Parente, que acabara de assumir o então recém-criado cargo de presidente da Bunge do Brasil, passou a reunir pela primeira vez num só encontro semanal os principais executivos da Bunge Alimentos e da Bunge Fertilizantes no escritório da companhia, na zona sul de São Paulo. A medida adotada por Parente foi o prenúncio de uma revisão radical pela qual passaria o grupo. No dia 24 de março, um comunicado interno anunciou a extinção dos cargos de presidente da Bunge Alimentos e da Bunge Fertilizantes (como antecipou o Portal EXAME). Os executivos Sérgio Waldrich e Mário Barbosa, que ocupavam as duas presidências, passaram a compor o conselho consultivo da companhia. A decisão encerrou uma relação de independência centenária - desde que, em 1905, a Bunge iniciou suas operações no Brasil com a Moinho Santista. A integração entre as duas empresas deverá estar completa até junho. "Vamos seguir o estilo que passamos a chamar de 'organização base zero' ", diz Parente. "Em outras palavras, o resultado será uma companhia bem diferente das duas originais."

É a segunda experiência de Parente, ex-ministro da Casa Civil e do Planejamento do governo Fernando Henrique Cardoso, à frente de uma empresa privada. (A primeira aconteceu entre novembro de 2002 e dezembro de 2009, na vice-presidência do grupo gaúcho RBS.) O convite para liderar a Bunge no Brasil partiu do presidente mundial do grupo, o brasileiro Alberto Weisser. Depois de um encontro entre eles realizado próximo à matriz, em White Plains, nas redondezas de Nova York, Parente diz que se sentiu seduzido pelo desafio. Ele terá apenas seis meses para transformar as antigas Bunge Alimentos e Bunge Fertilizantes numa só empresa. E mais: Parente precisará construir uma operação mais eficiente do que simplesmente a soma das duas antigas. A reformulação deve dar fôlego a novos negócios, como o de açúcar e álcool, um setor em que há anos a Bunge ensaia uma atuação mais ofensiva. Para o grupo, cujas vendas globais foram de 41,9 bilhões de dólares em 2009 - queda de 20% em relação ao ano anterior, sobretudo pela redução nas receitas de fertilizantes -, é no mercado de açúcar e álcool que está a alternativa de crescimento mais concreta. "Como trabalham com margens cada vez mais apertadas, ganhar eficiência operacional tornou-se uma questão cada vez mais importante para grandes produtores de commodities como a Bunge", afirma Júlio Borges, diretor da consultoria Job, especializada no setor sucroalcooleiro.

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